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15/06/2026
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    GIORDANO BRUNO: MONGE QUEIMADO PELA INQUISIÇÃO CATÓLICA

    PARALISARAM A LÍNGUA, AMARRARAM-NO A UM POSTE E ESPERARAM QUE O FOGO CONSUMIRASSE O CORPO DO MONGE E FILÓSOFO GIORDANO BRUNO

    No dia 17 de fevereiro de 1600 às 5:30 da manhã, as pessoas estavam reunidas na praça do Campo dei Fiore para testemunhar a santa inquisição se livrar de um ex-monge visionário em diferentes áreas da ciência. Ele era Giordano Bruno. Só esperava o momento final para que as chamas consumissem e fizessem cinzas o seu corpo. Suas ideias revolucionárias sobre o universo e a religião foram a causa da sua condenação. Suas obras foram declaradas heréticas por contradizer as ideologias da Igreja Católica.

    Nascido em Nola em 1548. Aos 15 anos começou seus estudos em Nápoles. Em 1565 entrou como noviço na ordem de São Domingo, sua consagração sacerdotal foi em 1572. E em 1575 ele se doutorou em teologia. Desde muito jovem que teve discrepâncias em certos assuntos com os colegas da sua ordem. Seu espírito inquieto levou-o a ler livros totalmente proibidos pela igreja. Tanto que foi influenciado pelas ideias de Nicolás Copérnico, Erasmo de Roterdã entre outros…

    Avaliou a teoria de que a terra não era o centro do universo, mas o sol. Em um ambiente onde o pensamento filosófico era dominado pela igreja, ousou postular que o universo é infinito e que poderia existir vida em outros lugares. Um dos seus conceitos mais ousados foi afirmar que todos os corpos são compostos de átomos. Não havia diferença entre matéria e espírito. Então negou a transmutação do pão transformado em carne e vinho em sangue. Alguns cientistas acreditam que Bruno era um homem à frente do seu tempo, um grande idealista visionário, mais não um cientista, possuidor de uma mente inquieta e curiosa, capaz de analisar e compreender o que era inexplicável para os outros. Com tudo isto, seus companheiros o consideraram herege, impostor que deveria ser julgado, e o acusaram perante o inquisidor local em 1575.

    A partir desse momento, Bruno torna-se um fugitivo da inquisição. Fugindo de um lugar para outro, até encontrar abrigo em Paris. Sua fama estava crescendo. Muitos se sentiram atraídos pelas suas ideias. O próprio Rei Henrique III enviou-lhe uma carta para se mudar para Inglaterra. Já em Londres ficou na casa do embaixador francês e este apresentou-o à Rainha Elizabeth. Após quase três anos, ele voltou para Paris, Wittenberg, Praga, Helmstedt, Frankfurt e Zurique.

    Em Frankfurt recebeu um convite de um nobre veneziano, Giovanni Mocenigo, que o convidou a hospedar-se na sua morada, porque demonstrava muito interesse nas suas obras. Queria aprender com ele. Em troca, oferecia boas recompensas. Bruno aceitou sem perceber que era realmente uma armadilha. Giovanni Mocenigo entregou seu hóspede à inquisição, disse tudo o que tinha ouvido de Bruno e o relacionado com suas obras heréticas. Também lhe confessou que tudo era uma armadilha, pois ele trabalhava para a inquisição há três anos.

    Em fevereiro de 1593 foi transferido para as autoridades romanas. Em janeiro de 1599 compareceu perante o tribunal, mas Giordano novamente não recuou. Deram-lhe quarenta dias para refletir, mas estes se tornaram mais nove meses de prisão. 21 de dezembro desse mesmo ano foi chamado mais uma vez perante a inquisição, mas manteve-se firme na sua recusa. Finalmente, 4 de fevereiro de 1600 foi declarado herege e ordenado que todos os seus livros fossem queimados na Praça de São Pedro e incluídos no índice dos livros proibidos. Também foi transferido para o tribunal secular de Roma para que a sua heresia “sem derramamento de sangue”. Isto significa morte na fogueira. Giordano Bruno ao ouvir a sentença disse: “O medo que sentem ao impor-me esta sentença talvez seja maior do que o que eu sinto ao aceitá-la”.

    Em 17 de fevereiro de 1600 Bruno foi levado para o local onde a sentença seria executada: o Campo Dei Fiore. Os prisioneiros eram levados em mulas. Alguns deles nem conseguiam ficar de pé por causa das torturas que tinham recebido. Bruno estava fisicamente destroçado, esfomeado, extremamente magro, irreconhecível em todos os aspectos, mas com um espírito inabalável, sempre fiel às suas convicções. Eram 5:30 da manhã. As pessoas estavam a olhar para eles. Certos prisioneiros executaram-nos para evitar o sofrimento. Mas Bruno não teve esse privilégio. Ele ficou com a língua paralisada para não falar com os espectadores. Uma vez amarrado no poste, um monge inclinou-se mostrou-lhe um crucifixo, mas Bruno virou a cabeça, mostrando mais uma vez a sua recusa. As chamas consumiram o seu corpo até o transformar em cinzas. E estas foram jogadas no Tibre.

     

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