Há muita gente que se intitula “missionário”, atribuindo-se missões elevadas e sublimes, sem que, entretanto, cheguemos a observar qualquer resquício dessas missões impostas. Alguns poucos, todavia, cumprem silenciosamente tarefas gigantescas, sem que jamais alardeiam seus nomes, sem que criem obras personalísticas, sem que se atribuam grandiosidades nem privilégios. Há pouco deixou fisicamente nosso planeta um dos Grandes Missionários do Cristo: Pietro Ubaldi.
Legou à humanidade inestimável acervo de obras, entre as quais avulta A Grande Síntese, em que se retoma, no século XX, o messianismo evangélico do Cristo. Mas o instrumento dessa obra viveu em silêncio, agiu discretamente, quase com receio de ser visto e notado, escondendo-se ao máximo das vistas dos homens, exclusivamente dedicado a seu labor imenso e valioso. Por sua própria posição, manifestou sua grandeza incomensurável. Por sua modéstia, revelou-se o discípulo verdadeiro de Cristo. Por sua vivência evangélica, demonstrou quem era. E se tudo isso não bastasse, a frase de Emmanuel, através da boca de Chico Xavier viria atestar a origem desse Espírito de escol: “Pietro Ubaldi interpreta o pensamento das Altas Esferas Espirituais, de onde ele provém”.
O testemunho é válido, tanto mais que foi solicitado não fosse divulgado durante sua permanência na Terra, mas apenas após sua desencarnação. Era mister evitar que fosse martirizado em seu recolhimento por curiosos, que lhe tomariam o tempo precioso de trabalho da nova revelação. Humildade em todos os momentos, sempre solicitava a opinião de amigos a respeito do que escrevia, quase temendo não haver captado bem o pensamento das Altas Esferas Espirituais. Por ser verdadeiramente humilde e desprendido, foi grande. Não interessa saber quem tenha sido em vidas anteriores: oportuno é meditar sobre quem foi nesta sua derradeira passagem entre nós.
Felizes, ficamos agradecendo aos céus a oportunidade de termos sido contemporâneos de Espírito de tão elevada estirpe, que, qual benção celestial, expandiu sua aura, nos últimos vinte anos de encarnado, em nossa pátria, deixando após si um lastro de sabedoria, vivo exemplo de que é possível, mesmo no mundo conturbado de hoje, seguir com fidelidade as pegadas do Cristo, perdoando e amando, trabalhando e servindo, produzindo e iluminando mentes e corações.
Incompreendido e excomungado por diversos setores ditos espiritualistas, religiosos e cristãos, esse discípulo de Cristo prosseguiu impávido, obedecendo à Voz Divina, preferindo-a, a correr atrás de aplausos e seguidores humanos. Quando sabia de algum novo ataque , dizia, quase se desculpando: “não posso mentir a mim mesmo nem trair a voz que ouço, embora desagrade a alguns homens.”
(Missionários – Revista Sabedoria 1972 – Por Carlos Torres Pastorino)
