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17/04/2026
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    34 anos sem Raul Seixas

    Pai do Rock brasileiro que impulsionou a carreira de grandes artistas. Raul Seixas é mais que Raul

    A criatividade de Raul Seixas era uma coisa absurda. Esse trecho entre aspas faz parte da última faixa do disco que mostrou Raul pra todo o Brasil: “Krig-ha, Bandolo!”.

    É uma vinheta narrada por ele, com algumas distorções vocais toscas, sem música. Colocar isso num álbum agora já seria disruptivo, imagina em 1973.

    “Krig-há, Bandolo!” foi o primeiro álbum solo de Raul Seixas. Ele tinha 28 anos. TODAS as músicas fizeram sucesso e todas elas são de composição de Raul Seixas, cinco em parceria com Paulo Coelho.

    Fazem parte desse álbum clássicos como “Ouro de Tolo”, “Mosca na Sopa”, “Metamorfose Ambulante” e “Rockixe”. Ouro de Tolo foi um acontecimento, aliás, é um acontecimento até hoje.

    A música é cheia de críticas sociais e econômicas, foi lançada durante a ditadura militar e não sofreu nenhum tipo de cesura. A letra é de uma profundidade tamanha, que não deve ter sido absorvida completamente pelos censores.

    É daquelas músicas que, cada vez que você a ouve, você saca alguma coisa diferente. Até hoje. A música foi lançada na Avenida Rio Branco, no Rio de Janeiro e Raul Seixas surgiu cantando ao vivo no meio do povo. Até o Jornal Nacional mostrou esse momento.

    “Krig-há, Bandolo!” é um álbum muito maduro pra um artista de 28 anos. Se você for julgar os seguintes critérios: Originalidade, qualidade textual, produção musical e interpretação, é impossível não dar dez pra todos.

    Ele juntou metais, cordas, berimbau, banjo, sintetizadores e fez um disco de rock. O trabalho é uma alquimia perfeita. Mas essa maturidade lírica e sonora, não veio por acaso.

    O maior sonho de Raul na juventude era ser escritor, como Jorge Amado. Não se adaptou a escola, mas lia muito. Se interessava por filosofia, latin e devorou a biblioteca de seu Pai, um engenheiro de estrada de ferro.

    Depois de aceitar o convite de Jerry Adriani para ir ao Rio de Janeiro tentar a vida de artista, fracassou com a banda Raulzito e os Panteras e voltou para salvador. Em Salvador, acabou conhecendo um diretor da gravadora CBS Discos, muito forte na época.

    Esse diretor convidou Raul para ser produtor na gravadora e ele retornou ao Rio. Essa é a fase responsável pelo amadurecimento sonoro de Raul. Ele produziu discos de Jerry Adriani, Edy Star, Diana e outros artistas da Jovem Guarda.

    Depois de ganhar uma certa notoriedade como produtor, Raul Seixas começou a emplacar algumas de suas composições com os artistas da gravadora. Pelo conteúdo dessas composições gravadas por outros artistas, fica evidente que foram escritas por Raul com objetivo comercial.

    Não eram músicas que representavam o trabalho autoral, de fato, de Raul Seixas que conheceríamos anos depois quando ele assumiu a paternidade do Rock brasileiro. Mas essa fase comercial da Raul Seixas trouxe toda a bagagem que ele precisava para se lançar como artista e causar um impacto logo no disco de estreia.

    Antes de trazer a nossa lista das músicas do Raul Seixas que foram gravadas por outros artistas, preciso falar um pouco da minha relação com Raul. Afinal de contas, essa é a primeira vez que falo do cara que da nome ao nosso espaço aqui.

    Eu ouço muito Raul Seixas desde que estava na barriga da minha Mãe. Meu Pai é o maior conhecedor da obra de Raul Seixas que eu já vi. Ele conhece a história, toca todas as músicas, sabe todas as letras, até aquelas mais desconhecidas.

    Ele canta as músicas do Raul com o mesmo timbre dele. Poderia montar um show cover de Raul facilmente se colocasse uma barba, cabelo e óculos. E detalhe, meu Pai não vive de música.

    Alguma coisa na obra de Raul Seixas o atraiu num determinado momento da vida e ele foi bebendo daquela fonte que carrega até hoje pra onde quer que vá.

     

     

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