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Três torres de transmissão de energia são derrubadas, e governo cria grupo de crise

Casos ocorreram no Paraná, perto de Itaipu, e em Rondônia. Relatório aponta 'indícios de vandalismo'

Três torres de transmissão de energia elétrica foram derrubadas e outras estruturas ficaram danificadas nesta segunda-feira, de acordo com informações da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Os casos ocorreram no Paraná e em Rondônia. Relatório aponta “indícios de vandalismo”.

Não houve suspensão no fornecimento de energia. Mas, por conta desses atos, o governo federal criou um gabinete de crise para acompanhar a situação. Sob coordenação da Aneel, o gabinete de Acompanhamento da Situação do Sistema Elétrico Brasileiro desencadeou uma série de ações para garantir a segurança energética do país. A informação foi revelada pelo jornal Valor Econômico.

A situação mais grave ocorreu às 0h13 de segunda-feira. Uma torre de transmissão que faz parte do sistema responsável por escoar a energia gerada na usina de Itaipu para o restante do país foi derrubada.

Cabos de apoio foram cortados e um trator foi usado para derrubar a torre, segundo relato de integrantes do governo. Outras três torres foram avariadas na mesma região. O caso ocorreu na cidade de Medianeira (PR), a 50 quilômetros de Foz do Iguaçu.

“Há indícios de vandalismo. Não foram identificadas condições climáticas adversas que possam ter causado queda de torres”, aponta um trecho do boletim de acompanhamento do grupo.

Logo após a queda da torre, outra linha de transmissão assumiu o escoamento da energia e não houve corte no fornecimento.

Duas torres em Rondônia

Outros dois casos ocorreram em Rondônia. Uma torre teve seus cabos de sustentação cortados e caiu e outra torre foi derrubada. Nas duas situações, também não houve interrupção no fornecimento de energia.

Em um dos casos, a empresa responsável pela torre aponta “indícios de sabotagem, sendo cortados dois estais (cabos de aço de sustentação da torre)”. Em outro, o grupo também aponta que “há indícios de vandalismo”.

Por conta dos atos, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) informou ao governo que está realizando, desde segunda, operação diferenciada para aumentar a segurança do setor.

A Aneel enviou ofícios às concessionárias de geração, transmissão e distribuição de energia elétrica e ao ONS informando acerca da instituição do gabinete de crise, que receberá e processará as informações referentes a qualquer tentativa de ataque ou efetivo vandalismo, tanto sob o aspecto de integridade física como também cibernética das instalações.

No ofício, a Aneel também determina que as distribuidoras de energia suspendam o fornecimento de energia elétrica “de possíveis instalações provisórias, relacionadas à acampamentos clandestinos de manifestantes, e identifiquem, se possível, os proprietários/consumidores responsáveis, com fins de encaminhamento para as autoridades públicas”.

Esquema similar ao de Copa e Olimpíadas

O Operador Nacional do Sistema Elétrico informou em nota que está adotando medidas tradicionalmente implementadas em eventos especiais como, por exemplo, Eleições e Copa do Mundo e Olimpíadas.

“Ao longo do trabalho de monitoramento, o Operador foi comunicado de quedas de torres, mas nesta época do ano de condições climáticas severas, o incidente pode ser considerado normal”, afirma a nota, embora o documento do grupo do qual o ONS faz parte aponte indícios de sabotagem e vandalismo.

“Neste momento, as causas estão sendo investigadas pelos respectivos agentes. O ONS segue acompanhando a operação e reitera que não houve impactos no suprimento de energia para a sociedade, permanecendo, na forma habitual, verificando todas as ocorrências”, completa o texto.

Em nota divulgada à noite, o Ministério de Minas e Energia informou que o grupo de trabalho segue monitorando e subsidiando com informações necessárias as decisões para assegurar o abastecimento de energia e a preservação da cadeia mineral.

“Paralelamente, foram acionados os órgãos de segurança federais e estaduais de modo a apurar e prevenir novos atos”, diz o texto.

Empresas acompanham

Marcos Madureira, presidente da Associação Brasileira de Distribuidores de Energia (Abradee), disse que o setor que reúne as empresas distribuidoras está acompanhando o caso com atenção.

— Estamos acompanhando, mas as empresas contam com protocolos de segurança tanto para instalações físicas como para questões cibernéticas, já que os sistemas estão cada vez mais digitais. Até agora, não constatamos problemas desse tipo entre as distribuidoras — explicou Madureira.

Segundo ele, as empresas contam com sistemas de segurança que permitem que um segundo circuito continue transitindo energia em caso de problema na linha principal. Em alguns casos, aponta, há até três rotas alternativas.

O presidente de uma empresa de energia disse que os episódios ocorridos no domingo são preocupantes. Para ele, que pediu para não ser identificado, estão sendo feitas contratações de equipes extras de segurança em todo o país para evitar apagões.

Esse executivo lembrou ainda que foi feito reforço no sistema de tecnologia, já que esse é apontado como um “problema mais eminente”.

Procurada, a Evoltz confirma que uma torre da Linha de Transmissão de 800 MW da Norte Brasil Transmissora de Energia caiu na madrugada do dia 9 de janeiro de 2023, próximo ao município de Ariquemes, no Vale do Jamari, em Rondônia.

“Funcionários da companhia estão em campo desde as primeiras horas do dia para averiguar o ocorrido junto a autoridades locais”, disse a empresa.

Furnas e Eletronorte ainda não se pronunciaram.

Em nota divulgada à noite, o Ministério de Minas e Energia informou que o grupo de trabalho segue monitorando e subsidiando com informações necessárias as decisões para assegurar o abastecimento de energia e a preservação da cadeia mineral.

“Paralelamente, foram acionados os órgãos de segurança federais e estaduais de modo a apurar e prevenir novos atos”, diz o texto.

Por Manoel Ventura e Bruno Rosa — Brasília

 

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