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Os Contrastes na vida de Saul e do filho Jônatas

Saul acordou transtornado, dizendo que iria fazer um apelo aos deuses para saber o futuro de seu reinado. O rei pediu a ajuda para chegar até Allat, e Jonatas se recusou a ir com ele. Após o contato com o espírito de Samuel na caverna da feiticeira, Saul voltou transtornado para o acampamento. Ele diz a Jonatas, seu filho e grande ouvinte, que perdeu as esperanças em vencer a batalha que enfrentará contra Davi e os filisteus. Em um momento de amor, sinceridade e muita hombridade, Jonatas diz a seu pai que, apesar de todos os acontecimentos, prefere morrer ao seu lado em batalha, se for preciso. (Trecho adaptado de uma novela televisiva)

Logo se ouviu o rumor da batalha no acampamento de Israel. As sentinelas do rei disseram que havia grande confusão entre os filisteus, e que seu número estava decrescendo. Não se sabia, entretanto, que qualquer parte do exército hebreu houvesse deixado o acampamento. Feita a busca, verificou-se que ninguém estava ausente a não ser Jônatas e seu pajem de armas. Mas, vendo que os filisteus estavam sendo repelidos, Saul levou seu exército a unir-se ao assalto. Os hebreus que tinham desertado para o inimigo voltaram agora contra eles; grande número também saiu de seus esconderijos; e, fugindo os filisteus, destroçados, o exército de Saul promoveu terrível estrago nos fugitivos.

Decidido a tirar para si as maiores vantagens, o rei temerariamente proibiu a seus soldados tomarem alimento durante o dia todo, impondo a ordem por meio de uma solene imprecação: “Maldito o homem que comer pão até à tarde, para que me vingue de meus inimigos.” A vitória já havia sido ganha, sem o conhecimento ou a cooperação de Saul; mas ele esperava a distinguir-se pela completa destruição do exército vencido. A ordem para abstinência de alimento foi motivada pela ambição egoísta, e mostrou ser o rei indiferente às necessidades de seu povo quando estas estavam em conflito com seus desejos de exaltação própria. Confirmando esta proibição com um juramento solene, Saul se mostrou não somente temerário como também profano. As próprias palavras da imprecação dão prova de que o zelo de Saul era por si mesmo, e não pela honra de Deus. Ele declarou seu objetivo não ser que o Senhor fosse vingado de Seus inimigos, mas “que me vingue de meus inimigos”.

A proibição teve como resultado levar o povo a transgredir o mandado de Deus. Eles tinham estado empenhados em guerra o dia todo, e desfaleciam pela falta de alimento; e apenas se passaram as horas da restrição, caíram sobre o despojo, e devoraram a carne com sangue, violando desta maneira a lei que proibia comer sangue.

Durante o dia de batalha, Jônatas, que não tinha ouvido acerca da ordem do rei, ignorantemente transgrediu comendo um pouco de mel quando passava através de um bosque. Saul teve conhecimento disto à tarde. Havia declarado que a violação deste edito seria punida com a morte; e, embora Jônatas não tivesse sido culpado, embora Deus lhe tivesse miraculosamente preservado a vida, e houvesse operado por meio dele, o rei declarou que a sentença devia ser executada. “Assim me faça Deus, e outro tanto”, foi a sua terrível sentença; “que com certeza morrerá, Jônatas.”

Saul não podia pretender a honra da vitória, mas esperava ser honrado pelo seu zelo ao manter a santidade de seu voto. Mesmo com sacrifício de seu filho, queria impressionar seus súditos com o fato de que a autoridade real tinha de ser mantida. Em Gilgal, pouco tempo antes, Saul tomara a ousadia de oficiar como sacerdote, contrariamente ao mandado de Deus. Sendo reprovado por Samuel, justificou-se. Agora, quando sua própria ordem foi desobedecida – embora esta ordem não fosse razoável, e tivesse sido violada por ignorância – o rei e pai sentenciou o filho à morte.

O povo recusou-se a permitir que a sentença de morte fosse executada. Afrontando a ira do rei, declararam: “Morrerá Jônatas, que obrou tão grande salvação em Israel? Nunca tal suceda; vive o Senhor, que não lhe há de cair no chão um só cabelo da sua cabeça, pois com Deus fez isso hoje.” O orgulhoso rei não ousou desrespeitar este unânime veredito, e a vida de Jônatas foi preservada.

Saul não pôde deixar de sentir que seu filho era preferido a ele, tanto pelo povo como pelo Senhor. O livramento de Jônatas foi uma severa exprobração à precipitação do rei. Teve um pressentimento de que suas maldições cairiam sobre sua cabeça. Não mais continuou a guerra com os filisteus, mas voltou para casa mal-humorado e descontente.

Aqueles que mais prontos estão para desculpar-se ou justificar-se, são muitas vezes os mais severos ao julgar e condenar os outros. Muitos, como Saul, trazem sobre si a maldição divina. Mesmo quando convictos de que o Senhor não está com eles, recusam-se a ver em si a causa da perturbação. Alimentam um espírito orgulhoso, ao mesmo tempo em que condescendem em fazer um juízo cruel ou severa censura em relação a outros que são melhores do que eles. A estes juízos precipitados, é implacável a palavra de Jesus de Nazaré: “Com o juízo com que julgardes sereis julgados, e com a medida com que tiverdes medido serão medidos.

Se os homens de Israel não se houvessem interposto a fim de salvar a vida de Jônatas, seu libertador teria perecido pelo decreto do rei. Com que pressentimentos deveria aquele povo ter seguido a guia de Saul? Deus pode suportar por muito tempo os desvarios dos homens, no entanto, por mais que possa parecer que Ele faz prosperar os que desrespeitam a Sua vontade e desprezam Suas advertências, ao Seu tempo certamente tornará manifesta a loucura deles.

 

 

 

 

 

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