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A Bruxa de En-Dor – A Magia nos Tempos Antigos

O caso de Saul e a feiticeira de En-Dor tem gerado muita polêmica e muitas especulações. O motivo que levou esse rei a recorrer à “médium”, “mãe de santo”, “macumbeira”, pessoa que consultava os mortos para resolver o seu problema, é o mesmo motivo que leva hoje milhões de pessoas a buscarem uma solução para os seus problemas. Foi o desespero a causa principal, pois os inimigos de Israel, os filisteus, estavam prestes a atacar os israelitas, e quando viu o acampamento dos seus inimigos, com seu aparato militar, “foi tomado de medo, e muito se estremeceu o seu coração. Após ter-lhe sido recusada a resposta divina foi que ele então procurou a médium. Saul estava desesperado, perturbado espiritualmente, porque Deus não lhe respondia de forma alguma nem por sonhos nem por Urim, nem por profetas. Em outras palavras, o Senhor não lhe respondeu nem pessoalmente nem por sonhos nem através dos sacerdotes – os responsáveis pela intercessão do povo diante de Deus – e nem pelos profetas, os instrumentos de Deus para revelar sua vontade aos homens.

Antes da morte de Samuel, ele havia desterrado os médiuns e os adivinhos, porém quando Saul procurou a “médium”, Samuel já estava morto. Deus o rejeitara, pois o Espírito de Deus havia se afastado dele. Foi como se Saul dissesse: “Se Deus não me responde, então o diabo vai me responder”. E ele fez isso. Provavelmente, o servo de Saul,  acreditava no poder da “mãe de santo” e sabia muito bem onde ela poderia ser encontrada. Assim, Saul apelou à médium de En-Dor como o último recurso de um desesperado, em flagrante violação da lei divina que ele mesmo anteriormente procurara cumprir. A própria médium sentiu-se receosa quando descobriu a identidade de Saul, que se apresentara a ela disfarçado. Depois de o rei ter-lhe assegurado que nenhum mal lhe aconteceria, a mulher deu início à sessão, evocando a presença de Samuel a pedido de Saul.

Deus se identificou como Deus dos vivos: de Abraão, de Isaque, de Jacó, Nenhum deles perdeu a sua personalidade, integridade, ou superego.
O pecado de Samuel, neste episódio, tornar-se-ia mais grave ainda, por ter ele estado no “seio de Abraão” e tendo recebido uma revelação superior e um conhecimento mais exato das coisas encobertas, e, por não tê-las considerado nem obedecido as ordens de Deus. Durante a sessão com a bruxa de Em-Dor, em momento algum, o rei Saul viu com os seus próprios olhos, o “profeta Samuel”, como afirma o texto sagrado: “Entendendo Saul que era Samuel…” Quando ele perguntou à mulher: “Que vês?”, ela respondeu: “Vejo um deus que sobe da Terra”. Insatisfeito com a resposta, ele inquiriu novamente: “Como é a sua figura?” Ela respondeu: “vem subindo um ancião, e está envolto numa capa”. A narrativa bíblica diz então que “entendendo Saul que era Samuel, inclinou-se com o rosto em terra e se prostrou”. Saul deduziu que o vulto que subia da terra, ao qual ele não via, era o profeta Samuel. As conclusões de Saul apoiam-se nas declarações da médium, mas Saul nada teria visto ou ouvido. Ele teria sido induzido pelas afirmações da mulher.

A profecia do falso Samuel, isto é, acerca do que iria acontecer na vida de Saul foi clara: “O Senhor entregará também a Israel contigo na mão dos filisteus, e amanhã tu e teus filhos estareis comigo; e o acampamento de Israel o Senhor entregará na mão dos filisteus” Essa profecia não se cumpriu na íntegra, segundo alguns estudiosos da matéria. Saul não foi entregue nas mãos dos filisteus; ele se suicidou, e seu corpo foi recolhido do campo de batalha pelos moradores de Jabes-Gileade. Também não morreram todos os filhos de Saul – ele tinha seis filhos e três deles sobreviveram. Morreram na batalha Jônatas, Abinadabe e Malquisua. Esses fatos tornam essa profecia uma flagrante contradição com o testemunho divino a respeito de Samuel, pois está escrito que “o Senhor era com ele, e nenhuma de palavras deixou cair em terra. Afirmam os evangélicos que “não foi Samuel quem se manifestou em En-Dor. Tudo não passou de uma fraude ou de artimanha de um espírito maligno.”

E questionam os mais críticos: “como poderíamos explicar que um suicida, como Saul, poderia estar ao lado de Samuel no seio de Abraão, após extinguir a sua própria vida? Seria uma incoerência muito grande e desrespeito de Samuel para com o Senhor garantir a um suicida seu lugar junto ao seio de Abraão.”

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