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17/04/2026
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    HISTÓRIA DE DONA CATITA

    Dona Catita teve cinco filhas, ficou viúva muito jovem e nunca mais se casou. “Preciso cuidar das minhas meninas”, dizia sempre que alguém lhe perguntava se pensava em se casar novamente.

    Ela era uma mulher lindíssima, respeitável, honrada e muito dedicada à família. Sempre buscava algo para fazer e ganhar algumas moedas a mais para dar às filhas tudo o que precisavam. Muitas vezes, deixava suas próprias necessidades de lado, dizendo sempre: “Primeiro elas”.

    Os anos passaram. Três de suas filhas se formaram professoras, a mais velha tornou-se enfermeira, e a mais nova decidiu não estudar e casou-se ainda jovem. Eram seu orgulho: mulheres lindas e fortes, assim como sua mãe. O tempo passou, e uma a uma foi seguindo seu caminho. Mudaram-se para outras cidades, formaram suas famílias, mas esqueceram-se da mãe.

    Dona Catita saía todas as tardes para olhar a rua, na esperança de que alguma de suas filhas aparecesse para vê-la. Um dia, ela caiu doente e não havia ninguém para ajudá-la. “Somos só eu e você”, dizia suspirando para seu gato. “Só eu e você, Jacinto!…” Parecia que Jacinto entendia sua dor, sua tristeza de mãe.

    A cada dia, dona Catita se apagava um pouco mais, até que um vizinho a encontrou abraçada ao seu fiel gato. Ela havia partido durante o sono, e Jacinto permaneceu ao seu lado até o fim. As filhas chegaram uma a uma à humilde casinha de Dona Catita. Vestidas de preto e usando grandes óculos escuros, gritavam e se abraçavam ao redor do caixão. “Agora, de que adianta?” Murmurou uma vizinha. Como teria sido feliz se pudesse vê-las virando a esquina e lhe dando um abraço. Mas, por mais flores e coroas caras que trouxessem, dona Catita não reagiu. Continuou ali, imóvel, com aquela expressão de tristeza que a acompanhou em seus últimos anos…

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