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    PROCLAMAÇÃO DA REPÚBLICA DO BRASIL E AS REAÇÕES NA EUROPA

    A notícia da deposição do Imperador Dom Pedro II do Brasil, (que precedeu em quase três décadas a queda da maioria dos monarcas da Europa após o fim da Primeira Guerra Mundial em 1918) foi recebida com consternação.

    No Início do ano de 1889, o cenário político europeu era caótico, em Julho do mesmo ano foi anunciado a segunda Internacional Socialista e o crescimento de movimentos políticos contra as Monarquias Vigentes. A expulsão de um governante popular e a aceitação passiva do exílio por parte do governante pareciam bizarras e uma demonstração de fraqueza e falta de pulso firme aos olhos de seus parentes na Europa.

    A Rainha Vitória da Inglaterra recebeu telegramas da embaixada Britânica no Rio de Janeiro na tarde de 17 de Novembro de 1889 sobre o Exílio forçado da Família Imperial Brasileira: “Notícia alarmante de uma revolução no Brasil e a deposição do imperador e toda sua família, que deveriam partir imediatamente. Muito terrível e angustiante.” Anotou em seu diário.

    Ao Marques de Salisbury a Rainha escreveu: “Muito chocada e triste. A repentina emancipação dos escravos causou grande descontentamento. Nosso navios não deveriam ser enviados para lá para proteger as vidas do imperador, da imperatriz e da família real, e para levá-los a bordo, como sempre é feito nesses casos, e para proteger os interesses britânicos? Mais ansiosa por causa de parentes próximos lá..”

    Boa parte da nobreza Europeia recebeu a notícia do Golpe Republicano no Brasil pelo sogro da Princesa Dona Isabel, o Duque de Nemours, pai do Conde D’eu, que enviou o seguinte telegrama a Rainha Vitoria: “O imperador e a família, feitos prisioneiros pelos insurgentes, embarcaram para a Europa. Essas são as últimas notícias recebidas hoje. Muito triste e emocionado com sua simpatia.”

    O parlamento britânico só deu reconhecimento oficial a República Brasileira em 1891, após a assinatura da Constituição Republicana. A chegada da Família Imperial Brasileira exilada, na Cidade de Lisboa, coincidiu com as cerimónias de ascensão do rei Dom Carlos I, seu sobrinho neto. O Rei lhe ofereceu uma voluptuosa quantia e um palácio para residir sem custos. Mas para o ex-Imperador do Brasil aceitar os presentes do Rei não seria ético, pois “estaria abusando da hospitalidade do povo português.”

    Em Berlim, o então imperador Kaiser Guilherme II sentiu que sua própria família havia sido humilhada por aquele acontecimento, pois os netos de Dom Pedro II, (Dom Pedro Augusto e Dom Augusto Leopoldo de Saxe Coburgo e Bragança) que também haviam sido exilados, eram seus primos. Guilherme II tinha certeza de que no futuro próximo a República Brasileira não seria capaz de manter sua integridade territorial, e ainda em 1889, ordenou o envio de dois navios da Marinha Imperial Alemã para patrulharem a Costa do Rio Grande do Sul, ato esse que resultou em protestos por parte da Embaixada Americana em Berlim.

    O Kaiser justificou alegando que o envio dos navios eram um aviso ao governo brasileiro de que a população de colonos alemães no Brasil estava sob proteção do Império Alemão, e que caso o Sul do Brasil deseja-se separar do Resto do País, era de sua obrigação incorporar aquele território a Alemanha. A ideia era de “salvar o sangue alemão” em terras estrangeiras.

    O embaixador do Império Austro Húngaro, Conde Rudolf Graf von Welsersheimb, fêz suas despedidas à Família Imperial Brasileira quando partiram para Portugal a bordo de um navio de guerra, e lhe informou que Dom Pedro II poderia escolher Viena para viver no Exílio. O Imperador da Áustria, que era primo do último Monarca Brasileiro, só reconheceu a República em 1891 e a Rússia tzarista, o faria apenas seis meses depois da morte do imperador deposto em 1892.

    (Fonte: “Fonte: RECONHECIMENTO DO REGIME REPUBLICANO. Fundação Getúlio Vargas”/ The Letters of Queen Victoria/Earl Buckle. Imagem – O ex-Imperador do Brasil: “Senhoras e senhores, em breve vocês estarão na minha situação. não se livrarem dessa multidão.” Charge da Revista inglesa “St Stephen’s Review”)

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