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Alunos da rede municipal de Naviraí aprendem a construir totens eletrônicos

Equipamentos fornecem álcool em gel e medem temperatura corporal em projeto inovador do IFMS Campus Naviraí que une ciência e conscientização no combate à pandemia da Covid-19; totens serão doados às escolas

Estimular o interesse de estudantes da rede pública pela iniciação tecnológica e promover a conscientização sobre a pandemia de Covid-19. Esta é a proposta do Projeto Solução Maker em Sincronia 4.0, idealizado pelo Campus Naviraí do Instituto Federal de Mato Grosso do Sul. Por meio de oficinas, jovens do ensino fundamental acompanham a construção de totens eletrônicos que fornecem álcool 70% ao mesmo tempo em que fazem a aferição de temperatura corporal.

Executado em parceria com a rede municipal de ensino de Naviraí, o projeto formou 40 estudantes da Escola Municipal Marechal Rondon no primeiro semestre deste ano. A próxima turma a participar das oficinas será de estudantes da Escola Municipal Maria de Lourdes Aquino Sotana, no segundo semestre.

Ao todo, espera-se formar ao menos 160 jovens de oitavo e nono ano em dois anos de projeto. Os totens construídos serão doados às escolas, para que as medidas profiláticas sejam colocadas em prática na comunidade.

Por conta das recomendações de distanciamento social, neste primeiro semestre as oficinas foram realizadas virtualmente, pelo Youtube. A partir do avanço da vacinação e a perspectiva de diminuição dos números da pandemia, a intenção é que as atividades sejam presenciais em 2022, mas neste primeiro momento, a disponibilização do material pela internet possibilita que estudantes de outras escolas e até de outras localidades assistam aos vídeos, já que o acesso ao canal do Youtube é livre.

Da esq. p/ dir.: professores Guilherme Botega Torsoni (IFMS), Aline Franciele Navarro Volpini Klein (REME), coordenadora pedagógica Cilene Ramos e o diretor André Santana Vieira (Escola Municipal Marechal Rondon).

A equipe idealizadora da proposta é formada pelos professores do IFMS Campus Naviraí André Carvalho Baida, Guilherme Botega Torsoni, Lucas Eduardo de Oliveira Aparecido e Marcos Rogério Ferreira. Na execução do projeto atuam também a professora da rede municipal de ensino Aline Franciele Navarro Volpini Klein, como multiplicadora externa, e os estudantes de graduação João Antônio Lorençone, como instrutor, e Pedro Antônio Lorençone, monitor.

Conhecimento interdisciplinar

O Projeto Solução Maker em Sincronia 4.0 é divido em etapas. Cada fase é pensada para desenvolver o raciocínio matemático, o repertório em ciências biológicas e ciências exatas, além de melhorar a capacidade de trabalho em grupo dos participantes. Eles são incentivados a agir de forma colaborativa até o objetivo final, que é desenvolver o totem e contribuir no combate à pandemia em sua comunidade.

A primeira oficina é voltada à contextualização sobre a pandemia de Covid-19 e as necessidades de higienização para impedir a proliferação do coronavírus. Na etapa seguinte, os participantes são desafiados a desenvolver um protótipo de dispenser de álcool gel mecânico, com pedal. Em seguida, recebem os conhecimentos de eletrônica para pensar na automação desses totens.

Concluídas essas três etapas, inicia-se a fase de produção do totem automatizado, construído em MDF com estrutura de encaixe, que não leva parafusos ou cola em sua montagem. Todos os materiais e equipamentos necessários para confecção dos protótipos estão disponíveis no Laboratório de Inovação do Campus Naviraí, o IFMaker.

Edital

O Solução Maker em Sincronia 4.0 é contemplado pelo Edital 03/2020 do Instituto Federal do Espírito Santo, que selecionou projetos da Rede Federal voltados à promoção da iniciação tecnológica com foco na economia 4.0. Conhecida também como a Quarta Revolução Industrial, essa nova era econômica busca o desenvolvimento de soluções para questões da vida em sociedade por meio de tecnologias inovadoras.

O projeto do Campus Naviraí concorreu com propostas de outros campi do IFMS antes de ser selecionado para concorrer ao Edital. Ganhou destaque ao ser o único que aliou a Economia 4.0 ao contexto da Pandemia de Covid-19.

Dentre outros critérios, o Edital avaliou a qualificação da equipe, a qualidade da proposta e seu impacto social. Ao ser contemplado, o projeto recebeu R$ 52 mil do Ministério da Educação, entre recursos para aquisição dos materiais de trabalho e bolsas para coordenador, instrutor, monitor e multiplicador.

Os irmãos gêmeos João Lorençone (instrutor) e Pedro Lorençone (monitor), durante aulas de testes de totem eletrônico no laboratório tecnológico do IFMS-Naviraí.

Impacto social

As escolas selecionadas para participar das oficinas estão em regiões com alto nível de vulnerabilidade social. Além das questões socioeconômicas, as duas instituições de ensino concentram a maior parte de estudantes da zona rural de Naviraí, que têm dificuldade de acesso a dispositivos tecnológicos em seu cotidiano.

Por isso, a proposta de oportunizar práticas educativas alinhadas às tecnologias contemporâneas apresenta novas perspectivas a esses jovens. O projeto auxilia na formação científica dos estudantes, engajando-os em projetos com impacto imediato na prevenção ao Covid-19 no interior de suas próprias escolas.

E o projeto também estreita a parceria entre o IFMS e a Gerência Municipal de Educação e Cultura de Naviraí. “Acredito que o mais importante é esses estudantes conhecerem como esses equipamentos funcionam através de suas programações, precisamos cada vez mais cedo na educação apresentar esses conhecimentos para nossos estudantes. E essa parceria entre a escola Marechal Rondon e o IF possibilita esse conhecimento. A Gestão da escola, estudantes, pais, estamos muito felizes pela parceira”, avalia André Santana Vieira, diretor da Escola Municipal Marechal Rondon.

Professor Guilherme Botega Torsoni, do IFMS Campus Naviraí.

Cultura maker

Outro objetivo do projeto é contribuir para a formação cidadã, habilitando os participantes a atuarem de forma criativa e tecnológica no mercado de trabalho e em suas comunidades. E inovação e empreendedorismo são os pilares da cultura maker, que estimula a filosofia do “faça você mesmo” e é bastante difundida no IFMS.

Ao participar das oficinas, os estudantes adquirem familiaridade com ferramentas da cultura maker, como o Arduino – plataforma de prototipagem eletrônica, a modelagem e impressão 3D e a programação. Todas disponíveis no IFMaker.

“O ambiente Maker proporciona ao professor trabalhar com metodologias ativas que amplificam a capacidade do aluno de reter o conhecimento, a aprendizagem baseada em projetos leva o aluno a utilizar o conhecimento de sala de aula para resolver problemas reais na comunidade onde vive. E isso torna o aprendizado muito mais significativo para o aluno,” explica o professor Marcos Rogério Ferreira, coordenador local do IFMaker.

 

Fonte: IFMS Campus de Naviraí – Fotos: Divulgação

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