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HERALDO E OSVALDINO DEVEM POLARIZAR A DISPUTA EM GUAÍRA

De Guaíra, avaliação jornalistica de Cristian E. Aguazo

A hora da verdade para a política guairense foi estendida para novembro, mas a corrida já iniciou nos bastidores. As pré-candidaturas de Heraldo Trento e Osvaldino da Silveira foram confirmadas, e aos poucos os grupos políticos vão limando as arestas que ainda restam.

E há muitas arestas e muito dinamismo no terreno da política. Até bem pouco tempo, Sandro Sabino Borges anunciava que desejava concorrer ao cargo de prefeito. Em um áudio vazado no Whatsapp, o edil chegou a afirmar para a vereadora Marlene Dallacosta que esta campanha poderia lhe ser inclusive favorável. “Essa vai ser a campanha mais louca, Marlene(…) E eu vou ganhar”, disse.

Pois é, mas o vereador, que tem base eleitoral sólida no Legislativo, desistiu de voos mais altos? Ninguém confirma sua desistência, mas também não foi confirmada sua pré-candidatura.

As pré-candidaturas de Osvaldino (também vereador) e dos empresários Jamil e Simeão Neves são de fato um empecilho para o grupo de oposição, que é minoria na Câmara e não parece estar unido o suficiente. Sandro pode estar levando isto em conta. Quem, com certeza, saiu de cena foi Osmar Volpatto. O ex-vice-prefeito chegou a ventilar seu nome, mas perdeu interesse e, consequentemente, força.

Devagar com o andor – Muitos analistas consideram o atual prefeito favorito, mas será mesmo? A diferença de votos de Heraldo para Silvia Vanin foi menor que a do ex-prefeito Fabian contra o filho de Silvia, Guilherme Vanin Rodrigues, no pleito anterior. Além disso, Heraldo vai enfrentar a rejeição de um grupo de antigos apoiadores. Entram nessa lista os ex-vereadores e ex-secretários Carlos Alberto Leite (Diba), João Carlos Hartekoff e Idivaldo Capatti. Idivaldo por ora está neutro no processo. Não é o caso de Diba. O ex-chefe de Gabinete, que foi candidato a vereador pelo partido do prefeito (DEM), confirmou apoio à pré-candidatura de Osvaldino e sua filha, Mirele Cetto Leite, é um dos expoentes nomes de uma lista de pré-candidatos a vereador divulgada na imprensa há poucas semanas.

Pontos fracos – Segundo fontes extraoficiais, Heraldo tem dificuldades em pontos localizados. Em Oliveira Castro, distrito rural de Guaíra, o prefeito parece não emplacar como em outros. A localidade é uma das poucas em que Osvaldino levaria a melhor, segundo estas mesmas fontes extraoficiais. Entre os empresários, o nome de Heraldo também já não é unânime. Donos de bares e lanchonetes questionam algumas medidas do comitê criado para a gestão do Coronavírus. Antes da pandemia, a flexibilização do horário de atendimento da Farmácia São João (recém-inaugurada) irritou os donos de farmácias tradicionais da cidade.

Críticas à gestão na saúde e na educação também são frequentes. Apesar das muitas justificativas, o fato é que em oito anos (vale lembrar que são administrações do mesmo grupo político), o governo municipal não conseguiu inaugurar a sede da Secretaria de Educação, um prédio que se tornou mais um “elefante branco” para o município (assim como o “Portal Turístico”, na avenida Sete Quedas, popular Beira Rio). Do outro lado, Osvaldino da Silveira precisa apresentar um plano coerente para governar. Entre os mais jovens, Osvaldino é visto com ceticismo, sendo, na tese de muitos, um político de pouco apelo e habilidade no mundo das redes sociais, onde, tudo indica, a campanha deve acontecer de fato. Da Silveira é da velha guarda: foi o primeiro prefeito eleito após os 21 anos de governo militar e na época disputava os votos com Mário Barbosa Rodrigues, marido de Silvia Vanin. Silvia e Mário, como veremos adiante, fecharam uma parceria com o atual vereador. O mundo dá voltas.

Pontos fortes: Boa gestão ajuda – Apesar dos pontos fracos elencados, a gestão de Heraldo tem sido elogiada pela população em linhas gerais. Mais aberto a atendimentos no Gabinete que seu antecessor, e figura presente no dia a dia dos servidores, o prefeito evita polêmicas e por isso é pouco atacado pelos vereadores de oposição. A quantidade de obras também é apontada como ponto forte deste governo. Na infraestrutura e no embelezamento da cidade, a gestão de Trento realmente “fez escola”. O asfalto, tão criticado na gestão de Fabian Vendruscolo (2013 – 2016), teve investimentos maciços, e obras nas Marinas e no Ginásio de Esportes são referências para a gestão 2017-2020 (uma ressalva se faz necessária: a gestão de Fabian teve obras muito mais emblemáticas em outras áreas, como saúde, com a criação da UPA, SAMU e três novos postos de saúde, além da ampla ajuda para criar o Hospital AssisteGuaíra). Pontos positivos também na captação de recursos. Heraldo Trento provou que tem bons contatos e é bom negociador: entra para a história como o prefeito que mais angariou recursos nas esferas estadual e federal. Outro ponto forte foi a vitória jurídica contra a demarcação indígena, estratégia em que o prefeito acompanhou de perto os advogados do Município em audiências em Guaíra e em Brasília.

Apesar da crítica por retirar as apostilas do Positivo e as já normais intrigas que envolvem a gestão da educação, a pasta teve muito sucesso na implantação de uma equipe especializada para atendimento a alunos com deficiência. Por fim, Trento teve retumbante vitória ao reativar o aeroporto municipal. Obras como a revitalização do Fundo de Vale e outras que estão na mira, como o contorno rodoviário (desvio da BR) e na orla do rio (muro de arrimo) serão cerejas do bolo.

Por seu turno, Osvaldino e Silvia têm a favor um desgaste natural pelos oito anos de governo ininterruptos do grupo situacionista, além do forte apelo popular. A esposa de Osvaldino, a também ex-prefeita Ada da Silveira, não tem nenhuma rejeição e é lembrada com muito carinho.

No corpo a corpo, este grupo político, outrora vencedor nas urnas, sempre foi de crescimento. Como essa força se comportará em meio a uma pandemia que impede aglomerações é um mistério. Quem viver, verá. Literalmente.

Os vices – A escalação do vice é sempre um ponto chave para desenhar uma eleição. Na vez passada, Heraldo teve Beto da Salamanca como escolha imposta por uma votação entre os partidos políticos. Beto venceu, mas não “aconteceu” dentro da administração. Criticado (e abandonado) nos bastidores por antigos correligionários, o vice foi ficando de lado dentro do governo. Beto, de vitoriosa carreira no Legislativo, é novamente pré-candidato a vereador e não escondeu sua frustração ao ser preterido. A escolha desta vez vem do próprio Heraldo. E ele escolheu Gileade Osti, o ex-Chefe de Gabinete, que teve ascensão meteórica desde a gestão Fabian. Evangélico da Assembleia de Deus e figura de fácil convívio, Gile, que era suplente, assumiu uma vaga na Câmara numa manobra vista como primorosa até pela oposição. Assim, Heraldo inseriu no Legislativo um vereador capaz e muito por dentro de todos os assuntos da administração, sendo um escudo argumentativo na tribuna contra as críticas da oposição; e transferiu Alécio Moroni, que renunciou ao posto de vereador, para Oliveira Castro. Alécio tem muitos conhecidos em Oliveira, onde, dizem, o governo é menos bem avaliado.

Por sua vez, Osvaldino fechou uma parceria com Silvia Vanin como vice. A chapa petebista terá uma missão muito difícil, mas não impossível. Há quem diga que inclusive seria mais fácil emplacar Silvia novamente como pré-candidata a prefeita em vez de Osvaldino. Em todo caso, a dupla não é fraca.

Vereadores – A Câmara deverá ter uma ampla renovação. Dos que estão lá, tudo indica que Lígia Lumi Suga, Marlene DallaCosta e Sandro Borges tenham algum favoritismo. Pastor Gilmar, agora sem a “ameaça” que representaria a disputa com Gileade Osti, tem uma chance de ouro para se reeleger.

Questiona-se também se Agnaldo Tadeu e Elza Romoda conseguirão repetir a expressiva votação. Quaisquer que sejam os resultados, uma eventual reeleição deverá ser muito comemorada, pois o desejo de renovação é explícito. Há muitos nomes competitivos para renovar a Câmara e esta será uma eleição bastante acirrada. Isso tudo é teoria. Convém lembrar que essas são apenas projeções. Velhos aforismas sempre nos revelam verdades, e na política, vale a arte da prudência: A vida não permite ensaios e a eleição só acaba às 17h do dia 15 de novembro.

 

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