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18/06/2026
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    China lançará sistema de pagamento digital para competir com o dólar

    Chamada de mBrigde, a plataforma não tem data exata para começar a funcionar, mas tem por objetivo reduzir a dependência da moeda dos EUA e aproximar Pequim de seus parceiros comerciais

    A China se prepara para fazer o lançamento comercial do sistema de pagamento digital chamado de mBridge. Sem data exata, a plataforma promete remodelar as transações internacionais ao reduzir a dependência do dólar e aproximar Pequim de seus parceiros comerciais da “Nova Rota da Seda”. As informações são do jornal Financial Times.

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    Com respaldo de bancos centrais da China Continental, de Hong Kong, da Tailândia, dos Emirados Árabes Unidos e da Arábia Saudita, a sede do mBridge será instalada em Hong Kong para supervisionar as operações, segundo informaram pessoas familiarizadas com o assunto. Essas mesmas fontes contaram que os preparativos para o lançamento estão avançados e que as taxas a serem oferecidas serão metade do valor cobrado pelos sistemas internacionais convencionais. Assim, a expectativa é de que aqueles que consideram os meios tradicionais, como o Swift, caros e difíceis de utilizar, adotem a plataforma chinesa.

    O esforço da China para ampliar o uso de sua moeda foi impulsionado pela guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã. Com a eclosão do conflito, disparou o uso do Sistema de Pagamentos Interbancários Transfronteiriços, de Pequim, que processa transações internacionais na moeda oficial chinesa, renminbi, e é frequentemente descrito como a versão chinesa do Swift. Nesse contexto, a plataforma mBridge surge como um sistema separado e complementar, projetado para fortalecer o uso do renminbi digital.

    Em paralelo, projetos de pagamentos regionais em outros países ganham força. É o caso do Sepa do Banco Central Europeu. Há esforços privados também, como a rede de QR code transfronteiriço do Ant Group. Essas iniciativas visam oferecer transações mais rápidas com menor custo, especialmente para pagamentos menores e em tempo real, como os feitos por turistas.

    Ao Financial Times, o diretor fundador do Centro de Finanças e Segurança do RUSI, Tom Keatinge, afirmou haver uma “corrida armamentista silenciosa de sistemas financeiros alternativos”. Segundo ele, a China quer garantir o papel da sua moeda digital, o ECNY, nas finanças globais por meio de sistemas próprios, como o mBridge.

    Já Gene Ma, chefe de pesquisa sobre China no Instituto de Finanças Internacionais, disse ao Financial Times que o sistema global de pagamentos antes dominado pelo Swift está se fragmentando em um “sistema de redes concorrentes”. Nesse cenário, o mBrige está prestes a se tornar uma delas.

    O mBridge

    O projeto do sistema de pagamento digital surgiu de uma iniciativa anterior entre a Autoridade Monetária de Hong Kong e o Banco da Tailândia. Na ocasião, foi intitulado de Inthanon-LionRock. Em 2021, assumiu a forma e nome atual a partir do envolvimento do Banco de Compensações Internacionais e dos bancos centrais de Dubai, China e Emirados Árabes Unidos.

    Em razão da pressão dos Estados Unidos somada a escrutínios públicos e políticos, o Banco de Compensações Internacionais transferiu o projeto para os seus parceiros em 2024. Entretanto, o então diretor-geral da instituição, Agustín Carstens, negou qualquer tipo de influência.

    Agora liderada por Pequim, a plataforma mBridge utiliza tecnologia blockchain para transacionar diretamente entre bancos centrais com uso de suas próprias moedas digitais. Dessa forma, é reduzido o papel do dólar como moeda intermediária e, consequentemente, diminui-se o tempo para fazer as transações de câmbio.

    Pessoas familiarizadas com o projeto disseram ao Financial Times que instituições financeiras comerciais podem participar das transações do mBridge sob a supervisão de seus respectivos bancos centrais. Essas fontes também contaram que, até o momento, o sistema chinês processou cerca de 470 bilhões de yuans (equivalente a cerca de US$ 69 bilhões).

    Segundo analistas, o sistema pode reforçar a posição da China no comércio global aprofundar os vínculos financeiros com parceiros regionais. Conforme explicação de Wang Jian, do setor financeiro da Gousen Securities, ao Financial Times, a plataforma acelera o “giro de caixa e reduz o risco de tensões de liquidez” aos exportadores. Além disso, a especialista avaliou que o mBridge deve fortalecer a voz de Pequim na ordem monetária global.

    Com informações: Jovem Pan

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