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A Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS) protagonizou, na última semana, uma ampla campanha científica nos municípios de Eldorado, Bonito, Jardim e Aquidauana, com foco na quantificação do fluxo de emissão de dióxido de carbono (CO₂) do solo em diferentes sistemas de manejo. A iniciativa integra esforços estratégicos voltados à compreensão da dinâmica do carbono no solo e ao desenvolvimento de soluções para mitigação das mudanças climáticas no estado.
A expedição foi conduzida por pesquisadores do Grupo de Estudos em Carbono (GECARB/UEMS – Mundo Novo) em parceria com o Grupo de Estudos em Manejo e Conservação do Solo e da Água (GEMACO/UEMS – Aquidauana), reunindo os professores Dr. Jean Sérgio Rosset, Dr. Jefferson Matheus Barros Ozório, Dr. Elói Panachuki e o bolsista de Pós Doutorado Dr. Roniedison da Silva Menezes, além da equipe de orientados de graduação e Doutorado dos respectivos docentes. A ação evidencia a integração entre unidades da UEMS e a consolidação de redes colaborativas de pesquisa aplicada.
No município de Eldorado, as avaliações foram realizadas em áreas experimentais com cultivo de amendoim, em parceria com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA) e o Instituto Agronômico de Campinas (IAC). Os experimentos envolveram diferentes estratégias de manejo, incluindo variações de fertilização e espaçamento entre linhas, permitindo avaliar como essas práticas influenciam diretamente o fluxo de CO₂ do solo.
Na região de Bonito e Jardim, as análises foram conduzidas em uma fazenda turística localizada na bacia hidrográfica do Rio da Prata, ambiente de alta relevância ecológica. Nessa região, foram comparados diferentes usos do solo, permitindo avaliar a influência de sistemas conservacionistas na redução da emissão de CO2 para a atmosfera.
Já em Aquidauana, os estudos ocorreram em experimentos de longa duração, conduzidos há aproximadamente 14 anos. Esse tipo de abordagem é fundamental, pois o comportamento do carbono no solo é fortemente dependente do histórico de manejo, podendo atuar tanto como fonte quanto como dreno de CO₂ para a atmosfera.
Ao todo, foram realizadas mais de 400 medições de fluxo de CO₂ do solo, utilizando analisadores portáteis baseados em câmaras fechadas e sensores infravermelhos. Esse tipo de equipamento permite quantificar, em tempo real, a respiração do solo, resultado da atividade microbiana e radicular, convertendo concentrações de CO₂ em taxas de emissão por área.
De acordo com o Prof. Dr. Jean Rosset, “os dados obtidos pela equipe da UEMS possuem elevado potencial de aplicação em inventários de emissões e modelos de balanço de carbono, sendo estratégicos para subsidiar políticas públicas ambientais. No contexto do programa estadual MS Carbono Neutro, essas informações podem contribuir diretamente para a construção de indicadores regionais e tomada de decisão baseada em evidências científicas.
A ação também evidencia o papel da Universidade pública como protagonista na geração de conhecimento aplicado às demandas da sociedade, integrando ensino, pesquisa e extensão.” Ademais, o docente cita que “com essa iniciativa, a UEMS consolida sua atuação na área de mudanças climáticas e balanço carbono do solo-atmosfera, contribuindo de forma efetiva para o desenvolvimento sustentável e para o posicionamento de Mato Grosso do Sul como referência nacional em agricultura de baixo carbono.”
A equipe de pesquisa expressa agradecimento à Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia do Estado de Mato Grosso do Sul (FUNDECT), pelo suporte financeiro às ações científicas desenvolvidas, bem como os editais estratégicos “MS Carbono Neutro” (Fundect nº 18/2021), a “Chamada Especial Fundect/Confap/Serrapilheira” (23/2024), a Chamada Especial Fundect/UEMS 12/2024 – PAPOS-Pós-Graduação 2024, Chamada Especial Fundect/UEMS 11/2024 – PAPOS-Graduação/2024 e Chamada Fundect/UEMS Nº 09/2022 – ACELERA UEMS, que têm viabilizado a consolidação de pesquisas voltadas à sustentabilidade e mitigação das mudanças climáticas.
Agradece-se ainda ao Recanto Ecológico Rio da Prata, pela disponibilização da área experimental nos municípios de Jardim e Bonito, à Embrapa e ao IAC pela parceria científica nos estudos com a cultura do amendoim, com destaque ao professor Dr. Tiago Zoz pela condução dos experimentos em Eldorado. Destaca-se também a colaboração do professor Elói Panachuki. Essas parcerias reforçam a integração entre instituições e o avanço da ciência aplicada no estado de Mato Grosso do Sul.
