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21/05/2024
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    CLEÓPATRA, A ÚLTIMA FARAÓ DO EGITO

    Cleópatra VII, a última governante ativa do Reino Ptolemaico do Egito, é provavelmente a mulher mais famosa do mundo antigo. Seu rosto foi imortalizado em vários artefatos antigos, e reconstituído em obras mais modernas. Isto tudo leva a várias dúvidas sobre como poderia ser o seu verdadeiro rosto, e se ela correspondia à sua representação feita no cinema.

    A verdade é que há pouca informação sobre a aparência real de Cleópatra, que é ainda cercada por algumas polêmicas — que envolvem, por exemplo, uma discussão sobre qual teria sido sua cor de pele.

    A quantidade de dúvidas sobre a sua aparência é fomentada pelo fato de que só sabemos o que restou nos objetos, já que o corpo de Cleópatra nunca foi encontrado. Mas os estudiosos dizem que as representações dos artefatos podem enganar.

    Andrew Kenrick, pesquisador da Universidade de East Anglia, no Reino Unido, afirmou que as estátuas antigas podiam ser pouco próximas da realidade. “Esculturas e estátuas foram concebidas como projeções de várias facetas de uma figura importante, em vez de serem feitas por semelhança”, explicou ao portal Live Science. Era comum, por exemplo, que uma estátua representasse um governante com um corpo muito mais musculoso do que ele realmente tinha.

    Para completar, não há tantos objetos antigos assim que mostram Cleópatra. Há algumas estátuas (cuja origem é um tanto incerta) e moedas que foram cunhadas por ela e encontradas na cidade de Taposiris Magna, no Egito.

    Em relação ao debate sobre sua cor e raça, há bastante controvérsia. “Simplesmente não temos evidências do mundo antigo que indiquem o tom de pele de Cleópatra”, indicou Prudence Jones, professora da Montclair State University.

    Entretanto, já foram levantadas algumas pistas. Alguns pesquisadores creem ser possível que ela tivesse ascendência africana. “O que sabemos é que o pai de Cleópatra era grego, e ela se considerava grega — embora ela se retratasse como egípcia, quando isso lhe convinha politicamente”, apontou Andrew Kenrick.

    Mas Zahi Hawass, ex-ministro egípcio de antiguidades, refuta a ideia de que ela tivesse sangue africano. “Cleópatra não era negra. Como a história bem documentada atesta, ela era descendente de um general grego macedônio contemporâneo de Alexandre, o Grande. Sua primeira língua era o grego e em bustos e retratos contemporâneos ela é retratada claramente como sendo branca”, escreveu em um artigo para o Arab News.

    Um documentário da BBC, em 2009, conversou com arqueólogos que estavam examinando restos mortais de esqueletos achados em 1926 em uma tumba de Éfeso, na Turquia. Os pesquisadores indicaram que uma ossada pertencia a Arsínoe IV, uma irmã de Cleópatra que teria sido morta por Marco Antonio em 41 a.C.

    Depois de reconstruir o crânio e analisar suas características, os pesquisadores afirmaram que Arsínoe IV descendia de africanos. “A distância da testa até a parte de trás do crânio é longa em relação à altura total do crânio e isso é algo que você vê com bastante frequência em certas populações. Uma é a dos egípcios antigos, e outra seriam os grupos negros africanos”, afirmou no documentário Caroline Wilkinson, professora de antropologia da Universidade de Liverpool.

    Os pesquisadores sugerem que Arsínoe IV poderia ser mestiça e, por consequência, sua irmã também. De todo modo, outros estudiosos entrevistados pela Live Science apontam que é preciso ter cautela antes de fazer afirmações. Duane Roller, professor da Ohio State University, disse que Cleópatra e Arsínoe IV podem não ter tido a mesma mãe. A premissa se sustenta por conta de um texto do historiador e filósofo Estrabão, que viveu entre 63 a.C. a 24 d.C. na Alexandria, e que escreveu que Ptolomeu XII, pai de Cleópatra, teve filhos com diferentes mães.

    De toda forma, qualquer discussão sobre a raça de Cleópatra precisa considerar ainda mais um fator: a de que a noção de “brancura” e “negritude” era estranha para os povos antigos. “Eles simplesmente não se importavam com isso da maneira que as pessoas modernas e contemporâneas se importam. Não era relevante para eles e sua visão de mundo, não fazia diferença para seus sentimentos sobre Cleópatra. Eles estavam mais preocupados com o fato de ela ser egípcia, macedônia, mulher, entre outros fatores”, explicou Jane Draycott, professora da Universidade de Glasgow.

     

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