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17/05/2024
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    COLAPSO NA CIDADE DE RIBAS DO RIO PARDO

    Falhou o plano para mitigar os danos causados pela construção da gigante de celulose e Ribas do Rio Pardo, a 100 quilômetros da Capital, repete o caos registrado em Três Lagoas. Sem estar preparado para a chegada de 7 mil trabalhadores, o município está à beira do colapso. As autoridades – que incluem delegado, juiz e prefeito – estão alarmadas com a perspectiva de piora quando serão 10 mil operários na construção da fábrica de celulose da Suzano.

    “A cidade está caminhando para o caos”, alerta o prefeito João Alfredo Danieze (PSOL). A empresa não cumpriu o combinado e a maioria das obras previstas para receber os 10 mil trabalhadores. A população da cidade vai ter aumento de 44%, passando de 23 mil para 33 mil em questão de meses.

    Para evitar o caos, o município criou um conselho para exigir as medidas de compensação ambiental, que é composto por representantes da sociedade e por autoridades, como o promotor de Justiça, o juiz, o delegado, o policial militar e o prefeito. O grupo definiu o plano e determinou o investimento de R$ 48 milhões.

    “A Suzano atrasou e o Governo do Estado, na gestão do Reinaldo (Azambuja) escanteou, naõ deu absolutamente nada”, lamentou João Alfredo. A duplicação do hospital municipal, que teria investimento de R$ 9,2 milhões e dobraria o número de leitos de 25 para 50, só começou no final do ano passado.

    Do investimento de R$ 16 milhões em segurança pública, que previa a construção de uma delegacia da Polícia Civil e do quartel da Companhia Independente da Polícia Militar, apenas a unidade do Corpo de Bombeiros foi construída. O Governo não ampliou o efetivo da segurança para a chegada dos 7 mil operários, que já estão trabalhando na construção da fábrica de celulose, que terá investimento de R$ 20 bilhões.

    Das cinco ambulâncias previstas para a saúde, a Suzano só entregou uma UTI móvel. Das 54 novas salas de aula, apenas 12 foram entregues. “Não é suficiente”, avisa João Alfredo, apavorado com a situação.

    Com a explosão no valor do aluguel, famílias foram despejadas porque não possuem condições de pagar R$ 3 mil por uma casa de dois quartos. Cerca de 300 famílias estão acampadas em uma área pública, segundo estimativa do prefeito.

    A questão social é outro problema, considerando-se que houve aumento de 500% no número de atendimentos no Centro de Referência Social. “Os problemas sociais aumentaram extraordinariamente”, destacou o prefeito. Ele também disse que falta um defensor público para atender a população.

    “A cidade hoje passa pelo caos, é o caos do progresso”, avaliou o vereador Álvaro Andrade dos Santos, conhecido como Nego da Borracharia (PSD). “Infelizmente falta ao Poder Executivo, ao prefeito, mais empenho em gerir esta situação”, afirmou, responsabilizando João Alfredo pelo agravamento da situação. “Já era esperado, ele que não se preparou”, alfinetou.

    O parlamentar frisou que somente agora o prefeito vem a público para admitir a dificuldade da situação. “As reclamações em alta seriam sobre os buracos, a cidade está acabada em buracos no geral todas as ruas”, relatou.

    Na zona rural, o aumento no tráfego de ônibus e caminhões agravou a situação das estradas e veículos baixos têm mais dificuldade para transitar. “Têm casos que passaram a noite atolado com uma família inteira dentro de um carro sob chuva”, contou.

    Nego da Borracharia corrobora com a tese do prefeito de que houve aumento no número de famílias sem-teto no município. “Outro fator seria a alta dos aluguéis um absurdo sem sombra de dúvida”, frisou. “Muitos moradores de Ribas, que moravam de aluguel, tiveram que invadir terrenos por não terem mais condições de pagar o aluguel e não terem onde morar, os barracos aumentaram muito”, reforçou.

    Na próxima terça-feira, o governador Eduardo Riedel (PSDB) é esperado em Ribas do Rio Pardo. João Alfredo está esperançoso com a troca de comando no Parque dos Poderes. O tucano teria sinalizado disposição em ajudar a cidade a minimizar o caos enfrentado por causa da construção da fábrica de celulose.

     

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