terça-feira,
21/05/2024
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    O amor e o vento

    Quero aprender arvorês.

    Quem fala o idioma das árvores encaulece

    e cria raízes profundas;

    beija a terra úmida;

    nunca briga com passarinhos;

    sorve o pó da essência;

    enamora o tempo,

    não envelhece a alma;

    aproveita da chuva o néctar do céu.

    O rugido do trovão desperta do marasmo.

    Os fios louros da cabeleira solar resplandecem felicidade

    e trazem esperança.

    E esta, a esperança,

    é a bailarina que dança

    nas cachoeiras do ribombar cósmico

    e agita os espíritos rumo ao infinito

    espelhado no amor.

    E o universo é menor que o amor.

    O universo é filho dele,

    fruto de um ósculo de luz que soprou vida

    e criou as borboletas, os colibris,

    o carvalho e os riachos…

    A água que brota do chão é amor líquido.

    É vida e verbo,

    eternidade instantânea,

    como a do poeta que abraça seus versos

    e vive neles,

    mas não é correspondido,

    pois amor não tem dono,

    amor é livre e voa com os beija-flores,

    cava com as minhocas,

    nada com os peixes

    e sossega com o vento,

    sedento,

    num balé contínuo,

    rítmico,

    estupendo!

     

     

    *João Linhares, Promotor de Justiça do Ministério Público de MS. Integrante da Academia Maçônica de Letras de MS. Mestre em Garantismo e Processo Penal pela Universidade de Girona (Espanha). Especialista em Controle de Constitucionalidade e Direitos Fundamentais pela PUC-RJ.

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