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PÁSCOA, A VITÓRIA DA SILVA

A palavra de ordem é lançar na vida humana as sementes da ressurreição

Como boa parte das comemorações religiosas, a Páscoa tem sua origem relacionada aos fenômenos da natureza. Há milhares de anos, os pastores do Hemisfério Norte proclamavam a chegada da primavera com festa, revelando-se por isso, num evento universal, onde os homens, independente do credo e origem, festejavam o renascimento da vida. Para os católicos ela passou a significar libertação através da Ressurreição de Jesus, que venceu a morte, completando a redenção da humanidade. Este fato é de capital importância à compreensão do Cristianismo, de tal modo, que sem ele, não seria possível imaginar sua existência e continuidade. Nesta trilha, com raro brilhantismo, nas certa feita, Dom Cláudio Hummes Dom Cláudio Hummes, então cardeal-arcebispo metropolitano de São Paulo, apregoou que é preciso “derrotar a cultura da morte e instalar a cultura da vida”.

Assim,  desejar “Feliz Páscoa” nesse momento no qual a pandemia do coronavírus afeta a convivência humana, é querer que a pessoa faça a experiência reconfortadora de passar da desesperança à esperança, da tristeza à alegria, de uma situação de trevas e confusão interior a uma situação de luz e de certeza; da ausência prática de Deus na vida para o seu predomínio nos afetos, desejos, pensamentos e ações.

Independente da atual situação, a verdade é que quando deixarmos morrer dentro de nós todo egoísmo, toda vaidade e arrogância e cedermos esforços em nossos corações à partilha e solidariedade, alcançaremos um mundo melhor, no qual inexistirão a ganância, a violência, a miséria e a exclusão dos que não são economicamente úteis. Enraizada na semente indestrutível da caridade, única forma capaz de impor uma convivência permanentemente fraterna, aproveitemos a ocasião para anunciar com ênfase o valor da vida e do amor como critério fundamental na construção de uma nova era.

Há muitas tradições e símbolos envolvendo o período pascal, como ovos de chocolates e coelhos. Apesar da importância histórica que representam, praticamente foram absorvidos por apelos comerciais, distanciando-se de seus verdadeiros significados e que nesse ano acabaram não ganhando tanta importância da ocasião em função do quadro provocado pelo problema que aflige a humanidade. Mas não podemos perder de vista que o maior sentido da Páscoa reside na força da ressurreição de Jesus, colocando a pessoa no caminho de realizações sólidas e na linha da fraternidade.

Por isso, a palavra de ordem é lançar na vida humana as sementes da ressurreição, para que todos possam cantar a vitória da vida. Nessa trilha e a título de reflexão,  transcrevemos parte de artigo publicado pela historiadora Mary Del Priore :- “O mito do eterno retorno embutido nos ritos da Páscoa, no símbolo do ovo, significa, não o paraíso perdido, mas o que podemos construir. Para vivermos o desafio de nos encontrar com a vida, é preciso nos inserirmos numa dinâmica que nos transforme em seres melhores do que somos. Despojando-nos de toda a resignação diante do horror. Abandonando todo o comodismo perante o desespero. Para isso, além de  “ter boa mão”, como recomenda a tradição popular, melhor seria “dar a mão” (“ O Estado de São Paulo”- Suplemento Feminino – pág. 02 – 22/23.04.2000).

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