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 Monte Carmelo – Episódio de Elias e os profetas de Baal

A história do Carmelo está intimamente ligada ao profeta Elias, que viveu no séc. IX a.C. Segundo a tradição recolhida por escritores da antiguidade, mantinha-se viva em vários locais a memória da sua presença: uma gruta na encosta norte, no cabo de Haifa, onde viveu primeiro ele e depois Eliseu; perto dali, o local onde se reuniam com os seus discípulos, apelidado pelos cristãos como Escola de Profetas e em árabe EL Hader, na mesma zona, a oeste uma nascente conhecida como a fonte de Elias, que ele mesmo teria feito brotar da rocha e a sudeste do maciço, o cume de EL-Muhraqa e a torrente do Qison, onde fez frente aos quatrocentos e cinquenta profetas de Baal. Através de sua oração, Deus fez descer fogo do céu e deste modo o povo abandonou a idolatria, segundo relata o primeiro livro dos Reis.

O Carmelo é uma cadeia de montanhas, de rocha calcária, que se separa do sistema montanhoso da Samaria, prolongando-se até ao Mediterrâneo e terminando num promontório sobre a cidade de Haifa. Tem o comprimento de 25 km e uma largura que varia entre os dez e os quinze, e uma altitude média de 500 m. O nome deriva da palavra kerem que significa horto, vinha ou jardim com a característica de serem muito belos. Esta qualificação ajusta-se à realidade: nesta cadeia brotam muitas fontes e cresce uma flora rica e variada, tipicamente mediterrânica. Esta fertilidade foi sempre proverbial e nos vários livros do Antigo Testamento aparece como o símbolo da prosperidade de Israel ou também da sua desgraça, em caso de aflição: “O Senhor brama de Sião, e de Jerusalém faz ouvir a sua voz; os prados dos pastores lamentam, seca-se o cume do Carmelo”. Existem também numerosas cavernas – mais de mil – particularmente a oeste, com abertura estreita mas, muito amplas.

Nestes locais venerados desde o início da fé cristã, onde se construíram igrejas e mosteiros em memória de Elias, nasceu a Ordem do Carmo. A sua origem remonta à segunda metade do séc. XII, quando Bertoldo de Malafaida, cruzado francês, reuniu à sua volta alguns ermitãos que viviam dispersos no Hader, na zona do monte Carmelo, próxima de Haifa. Edificaram ali um santuário e mais tarde, por volta de 1200, outro na encosta ocidental, em Wadi es-Siah. Brocardo, sucessor de Bertoldo como prior, solicitou então ao patriarca de Jerusalém, uma aprovação oficial e uma norma que organizasse a sua vocação de solidão, ascese e oração contemplativa: é a Regra do Carmo – também chamada Regra do Salvador – ainda em vigor nos dias atuais.

Além de Stella Maris, a Ordem do Carmo tem outro santuário na ponta sul do monte Carmelo, o El-Muhraqa, conhecido como Sacrifício de Elia, que lembra o episódio dos profetas de Baal. No entanto, do antigo mosteiro fundado em Wadi es-Siah, atualmente Nahal Siakh, apenas subsistem as ruinas.

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