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A Vida da Mulher Israelita – Nos Antigos Tempos e na Atualidade

A comunidade judaica é milenar. O judaísmo afirma uma continuidade histórica de mais de três mil anos. É uma das mais antigas religiões monoteístas e a mais antiga das três grandes religiões abraâmicas e sobrevive até os dias atuais. Os judeus são um grupo etno-religiosoe incluem aqueles que nasceram judeus ou foram convertidos ao judaísmo. O judaísmo ortodoxo sustenta que a Torá e a lei judaica são de origem divina, eterna e imutável, e que devem ser rigorosamente seguidas. Judeus conservadores e reformistas são mais liberais, com o judaísmo conservador, geralmente promovendo uma interpretação mais “tradicional” de requisitos do judaísmo do que o judaísmo reformista. A posição reformista típica é de que a lei judaica deve ser vista como um conjunto de diretrizes gerais e não como um conjunto de restrições e obrigações, cujo respeito é exigido de todos os judeus.

Enfim, a função a mulher tem evoluído junto com as práticas e os costumes das diversas sociedades e épocas em que se constituiu o povo judeu. Porém, não se pode negar que a condição da mulher judaica na Antiguidade ou Idade Média, sob domínio cristão ou muçulmano, era melhor entre os judeus do que entre os outros povos próximos. Mesmo quando dominava o patriarcado, que se fazia refletir na sua conduta, no seu caminho (halakhá), o direito judaico, a tendência das decisões rabínicas eram a de dignificar e proteger a condição feminina. Com a vinda da modernidade, a condição da mulher tem se transformado muito e tem refletido diversas posturas que as diversas correntes do judaísmo contemporâneo têm tomado com relação a esse assunto. Contudo, para se entender o papel da mulher judia neste contexto da atualidade é necessário entende que há duas explicações na Torá para a criação da mulher.

Uma delas, “a mulher foi criada juntamente com o homem, os dois criados a imagem de Deus. A eles dois juntos, o homem e a mulher, foram dados o domínio dos animais e a tarefa da procriação”.

Já a segunda, diz: “a mulher foi criada ao lado do homem para ser sua parceira. Ao homem é dito que deveria deixar seu pai e sua mãe e unir-se a sua esposa.” Pode-se entender que o pensamento judaico dos tempos bíblicos reconhecia que a condição inferior da mulher, naquela época, não era a vontade original de Deus.

Na Antiguidade, o judaísmo formou-se das sociedades patriarcais do Oriente Médio. No texto bíblico, o sacerdócio e a monarquia eram tarefas masculinas. Para a mulher restava cuidar da casa e criar os filhos. Porém, se nos aprofundarmos nos textos bíblicos, eles descrevem uma sociedade matriarcal, as mulheres com papéis fortes: Miram, a profetisa; Débora, a juíza; Hulda, também profetisa; Ruth, Yael e Ester, as rainhas.

Nesse mesmo período, as israelitas eram tratadas de modo mais equânime pela lei bíblica do que as mulheres de outros povos próximos. Na Antiguidade, a mulher na Grécia, por exemplo, tinha um status muito mais inferior em sua cultura do que a mulher judia. Muitos dos direitos da mulher judia existiam e sua liberdade era respeitada e preservada. A mulher deveria ser propriamente mantida por seu marido e, ainda que a poligamia fosse legalizada, a monogamia era tida e respeitada como o ideal judaico.

Durante o período talmúdico (séculos II até o IX), apesar de opiniões negativas com relação à mulher por parte de alguns rabinos, os direitos das mulheres eram protegidos pelos códigos rabínicos. O Talmud declara que o homem é incompleto sem a mulher. Eles também declaram que cada época deveria ser redimida pelas mulheres por sua geração. Da mesma forma que no período bíblico, sob a conduta (halakhá), a lei judaica rabínica, as mulheres tinham um tratamento muito melhor do que as não judias. Por exemplo, uma mulher judia não era obrigada a casar contra sua vontade. O divórcio era permitido e até um contrato formal de casamento (ketubá) deveria ser providenciado para proteger os direitos da mulher. O homem, seu marido, era obrigado a satisfazê-la sexualmente, não podia ficar longos períodos sem procurá-la para satisfazê-la.

A condição feminina e a lei judaica rabínica na era medieval eram consideradas como tendo um estatuto com seus direitos e deveres. Os rabinos prescreveram três mitzvot, que eram especialmente designadas para as mulheres: a chalá (a separação da massa do pão), o acendimento das velas de Shabat e a taharat mishpachá, o cuidado com a pureza familiar e as leis de nidá e mikve. Como princípio geral as mulheres foram liberadas, não proibidas, da performance dos mandamentos positivos que possuem um horário fixo (mitzvot shel zeman grama) para tocar o shofar, morar na suká, usar o talit e os tefilin e recitar o Shemá. Mas deveriam acender as velas de Chanuká, participar da leitura da Meguilá. Esses regulamentos evitavam o incômodo para as mulheres de terem que se responsabilizar com essas mitzvot e, em resultado, se ausentarem do lar.

No entanto, a mística judaica desenvolveu uma projeção da Divindade na forma feminina como Shekhiná, assim como no período bíblico a Sabedoria Divina era personificada na forma feminina.

A isenção das mulheres das mitzvot com tempo fixo tornou-se um problema na atualidade, na medida em que um crescente número de mulheres vem buscando igualdade na observância judaica. Em geral, a halakhá sugere que a mulher pode escolher voluntariamente cumprir ou não as tarefas de mitzvot.

Essas mudanças no papel das mulheres têm avançado cada vez mais no sentido de sua igualdade jurídica e uma sensível melhoria no seu status social e civil. É notória a influência crescente da voz das mulheres judias reivindicando por direitos de igualdade dentro da sua comunidade. Já não querem mais aquele papel feminino tradicional.

Todavia, os mais ortodoxos estão resistentes a essas mudanças. Por ser uma comunidade fechada, essa luta não é fácil e tem sido vista como heresia.

Há uma corrente bem grande de judeus modernos; as mulheres têm participado dos serviços religiosos e se envolvido mais no estudo da Torá. Em muitas sinagogas ortodoxas modernas, tanto nos Estados Unidos como em Israel, a separação feminina nos cultos tem sido revista. Em muitas sinagogas dessa linha agora as mulheres sentam-se ao lado dos homens e não mais atrás como entre os ultraortodoxos. Mesmo assim, os papéis sexuais têm sido mantidos e os serviços continuam não sendo igualitários, mesmo que essas mulheres e homens vivam essa igualdade na sociedade geral. Em Israel, mulheres têm sido escolhidas por rabinos ortodoxos moderados para servir em tarefas de grande responsabilidade, mesmo que rejeitadas entre os círculos ultraortodoxos.

A participação das mulheres passou a ser decisão de cada Assembleia Rabínica Massorti e ficou por conta de cada congregação. Porém, hoje em dia, 80% das congregações conservativas norte-americanas e israelenses, além da quase totalidade das congregações conservativas europeias e argentinas, já são igualitárias e são vistas como naturais.

Contudo, a corrente conservativa manteve o hebraico e o aramaico na liturgia judaica, as mitzvot como cashrut, shabat. A evolução da Halakhá é feita levando-se em conta um estudo muito profundo da tradição, da Halakhá e de sua evolução natural.

 

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