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Jonas aprendeu em Nínive uma lição de misericórdia

Jonas tinha diante de si uma viagem de mais de 800 quilômetros, uma jornada por terra que levaria cerca de um mês, talvez mais. Primeiro, ele precisava escolher o caminho: o mais curto ou o mais seguro. Depois tinha de seguir em frente, passando por incontáveis vales e montanhas. Provavelmente teria de contornar o vasto deserto da Síria, atravessar rios como o grande Eufrates e procurar abrigo entre os habitantes das cidades e vilas da Síria, Mesopotâmia e Assíria. Os dias iam passando, e Jonas pensava na cidade que se aproximava a cada passo, o destino que ele tanto temia — Nínive. De uma coisa Jonas tinha certeza: ele não podia dar meia volta e fugir de sua designação. Ele já tinha tentado fazer isso. Deus ensinou uma lição a Jonas por meio de uma tempestade no mar e um resgate milagroso envolvendo um enorme peixe. Três dias depois, o peixe vomitou Jonas numa praia. Agora ele era um homem mais temente a Deus e mais submisso.

Quando Jeová pela segunda vez mandou Jonas a Nínive, o profeta obedeceu e foi rumo ao leste nessa longa viagem. Deus havia lhe mostrado misericórdia, não permitindo que se afogasse, não o punindo por seu ato rebelde e dando-lhe uma segunda oportunidade para cumprir sua designação. Muitas vezes é difícil para humanos imperfeitos aprender a mostrar misericórdia. A própria Nínive mostrou-se para Deus uma cidade grande. Nínive era antiga, uma das primeiras cidades que Ninrode estabeleceu após o Dilúvio. Era uma extensa região metropolitana   que, pelo visto, incluía várias outras cidades. Nínive era impressionante, com seus templos suntuosos, muralhas imponentes e outros edifícios. Porém, que importava nessa cidade eram as pessoas. Para a época, Nínive tinha uma população enorme.

Quando Jonas finalmente entrou em Nínive, a sua grande população de mais de 120 mil habitantes talvez tenha tornado o lugar ainda mais amedrontador. Ele caminhou por um dia, indo cada vez mais para dentro daquela metrópole movimentada, talvez procurando um bom ponto central para transmitir a sua mensagem. Pode ser que Jonas tenha feito a sua proclamação em sua língua materna, o hebraico, e usado um intérprete para transmiti-la aos ninivitas. De qualquer modo, sua mensagem era simples e dificilmente faria com que ele ganhasse a aprovação do povo. De modo firme, ele continuou repetindo a sua mensagem. Ao fazer isso, mostrou notável coragem e fé. A mensagem de Jonas chamou a atenção dos ninivitas. Sem dúvida, ele estava preparado para uma reação hostil e violenta. Mas, em vez disso, algo incrível aconteceu. Aquelas palavras se alastraram como fogo. Em pouco tempo, toda a cidade estava falando sobre a profecia de condenação proferida por Jonas. Ricos e pobres, fortes e fracos,  jovens e idosos, todos se arrependeram e jejuaram.

As notícias desse movimento popular logo chegaram aos ouvidos do rei. O rei também reagiu à mensagem de Jonas. Tomado de um temor reverente, ele se levantou do trono, tirou suas luxuosas roupas reais, vestiu-se com a mesma roupa que o povo estava usando e até mesmo “assentou-se nas cinzas”. Com os seus “grandes”, ou nobres, ele emitiu um decreto que fazia com que aquele jejum que o povo iniciou de forma espontânea se tornasse um ato oficial de Estado. Ele ordenou que todos usassem serapilheira, até mesmo os animais domésticos.  O rei humildemente reconheceu que o seu povo era culpado de praticar maldade e violência. Demonstrando esperança de que o arrependimento deles abrandaria a ira do Deus verdadeiro, o rei disse: ‘Quem sabe Deus recuará da sua ira ardente, para que não pereçamos.’ Alguns críticos duvidam que essa mudança de atitude tenha ocorrido tão rápido entre os ninivitas. No entanto, eruditos bíblicos chegaram à conclusão de que uma mudança dessas não é incompatível com a natureza supersticiosa e imprevisível das pessoas dessas culturas nos tempos antigos.

Jesus sabia do que estava falando, pois viu o desenrolar daqueles acontecimentos quando estava no céu. A verdade é que nunca devemos achar que é impossível as pessoas se arrependerem — não importa o quanto elas pareçam más aos nossos olhos. Só Deus pode ler o que há no coração das pessoas.

 Será que a profecia de Jonas era falsa? Ela cumpriu o seu propósito de avisar. Caso os ninivitas voltassem a fazer o que é errado, Deus executaria aquele julgamento contra eles. Foi exatamente isso que aconteceu mais tarde. “Isso, porém, desagradava muito a Jonas e acendeu-se a sua ira.” Jonas chegou até mesmo a fazer uma oração que soa como uma censura ao Todo-Poderoso. Jonas deu a entender que teria sido melhor ter ficado em casa, na sua própria terra. Ele alegou que sabia desde o começo que Jeová não traria calamidade sobre Nínive, até mesmo usando isso como desculpa por ter fugido para Társis inicialmente. Então ele pediu para morrer, dizendo que a morte seria melhor do que a vida.

Deprimido, o profeta saiu de Nínive, mas em vez de ir para casa dirigiu-se para as montanhas ao leste, de onde podia ver a região. Ele construiu um pequeno abrigo e ficou ali observando Nínive e aguardando. Jonas acordou e viu essa planta viçosa com suas folhas largas, que davam muito mais sombra do que seu frágil abrigo poderia dar. Isso o deixou bastante animado. Jonas começou a alegrar-se muito por causa da planta, talvez achando que aquele milagre era um sinal da bênção e da aprovação de Deus. No entanto, Deus queria fazer mais do que apenas aliviá-lo do calor e de sua raiva infundada. Ele desejava tocar o coração de Jonas. Por isso, Deus realizou outros milagres. Usou um verme para matar aquela planta.  Depois, enviou “um vento oriental abrasador”, e, por causa do calor, Jonas quase ‘desmaiou’. Ele ficou muito desanimado e mais uma vez pediu a Deus para morrer. Deus perguntou a Jonas se ele tinha direito de ficar com raiva, agora porque o cabaceiro tinha morrido. Em vez de se arrepender, Jonas se justificou, dizendo: “É de direito que se acendeu a minha ira a ponto de eu querer morrer.”

Deus raciocinou com Jonas, dizendo que o profeta estava triste por causa da morte de uma simples planta que tinha surgido da noite para o dia, e que Jonas não havia plantado nem cuidado. Então, Deus concluiu: “Eu, da minha parte, não devia ter pena de Nínive, a grande cidade, em que há mais de cento e vinte mil homens que absolutamente não sabem a diferença entre a  sua direita e a sua esquerda, além de haver muitos animais domésticos?” Jonas não tinha feito absolutamente nada para cuidar daquela planta, mas Deus era a Fonte da vida daqueles ninivitas e os sustentava, assim como sustenta todas as criaturas da Terra. Na verdade a raiva de Jonas contra Nínive era motivada por egoísmo — um desejo orgulhoso de não ser mal visto, de mostrar que tinha razão.

Alguns talvez critiquem o fato de Jonas não ter respondido. Mas, na verdade, a resposta está lá — é o próprio livro. As evidências indicam que foi Jonas que escreveu o livro que leva o seu nome. Agora imagine aquele profeta, de novo em segurança na sua terra natal, escrevendo esse relato. Quase dá para ver um homem mais velho, mais sábio e mais humilde, lamentando as coisas que fez, à medida que descreve seus próprios erros, sua rebelião e sua teimosia em não querer mostrar misericórdia.

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