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Os Anjos, desde o Tempo dos Juízes até o Primeiro Reinado

O anjo mais importante em poder e autoridade — o anjo principal — chama-se Miguel, o arcanjo. Ele é o próprio Jesus. Incontáveis eras atrás, quando Jeová se propôs a ser Criador, a primeiríssima de suas criações foi esse Filho angélico. Mais tarde, por meio desse Filho primogênito, trouxe à existência todas as outras criaturas espirituais. Referindo-se a essas criaturas angélicas como filhos, Deus perguntou ao patriarca Jó: “Onde vieste a estar quando fundei a Terra? Informa-me, se deveras conheces a compreensão. Quem lançou a sua pedra angular, quando as estrelas da manhã juntas gritavam de júbilo e todos os filhos de Deus começaram a bradar em aplauso?” É óbvio que os anjos foram criados por Deus e vieram a existir muito antes dos humanos.

Nos tempos antigos, quando Deus enviou Seus anjos para ministrarem a indivíduos ou com eles se comunicarem, ao tomarem consciência de que haviam visto um anjo e com ele conversado, enchiam-se de temor reverente e pensavam que morreriam. Tinham um conceito tão exaltado da terrível majestade e poder de Deus, que ao entrar em contato com aqueles que provinham diretamente de Sua santa presença, julgavam que seriam destruídos.

Depois da morte de seu líder Josué e dos anciãos que a ele se haviam associado, o povo gradualmente reincidiu em idolatria. O Senhor não permitiu que os erros do povo ficassem sem reprovação. Havia ainda adoradores fiéis em Israel; e muitos outros, por hábito ou pela tradição, frequentavam o culto a Deus no Tabernáculo. Uma grande multidão reunira-se para certa festividade religiosa, quando um anjo de Deus, que antes se apresentara em Gilgal, agora apareceu à congregação em Siló. Este anjo, o mesmo que aparecera a Josué quando da tomada de Jericó, era ninguém menos que o Filho de Deus. Mostrou ao povo que Ele não quebrara Suas promessas, mas que da parte deles ocorrera violação do solene concerto.

Gideão era filho de Joás, da tribo de Manassés. A divisão a que esta família pertencia não mantinha posição de destaque, mas a casa de Joás distinguia-se pela coragem e integridade. A Gideão veio o chamado divino para libertar seu povo. Estava ocupado na ocasião a malhar o trigo. Enquanto Gideão trabalhava em segredo e silêncio, meditava com tristeza na condição de Israel, e considerava como o jugo do opressor poderia ser quebrado de seu povo.

Subitamente o “Anjo do Senhor” apareceu, e a ele Se dirigiu com estas palavras: “O Senhor é contigo, varão valoroso.” O Anjo cobrira a divina glória de Sua presença, mas Ele não era outro senão Jesus, o Mestre Maior. Quando um profeta ou anjo apresentava uma divina mensagem, suas palavras eram: “Assim diz o Senhor: Eu farei isto”, mas no tocante à Pessoa que esteve com Gideão, entretanto, é dito que “o Senhor lhe disse: … Eu hei de ser contigo.”

Quando o presente foi colocado diante do Anjo, Este ordenou: “Toma a carne e os bolos asmos, e põe-nos sobre esta penha, e verte o caldo.” Gideão obedeceu, e então o Senhor concedeu-lhe o sinal que ele almejava. Com o cajado que trazia na mão, o Anjo tocou a carne e os pães asmos. Fogo subiu da rocha e consumiu toda a oferenda como sacrifício, e não como refeição hospitaleira, pois ali Se encontrava Deus, e não um homem. Após esta prova de Seu divino caráter, o Anjo desapareceu.

Sansão

Em meio da ampla apostasia, os fiéis adoradores de Deus continuaram a pleitear com Ele o livramento de Israel. À beira do território montanhoso, sobranceiro à planície da Filístia, achava-se a cidadezinha de Zorá. Ali morava a família de Manoá, da tribo de Dã, uma das poucas casas que em meio da deserção geral permaneceram fiéis a Jeová. À mulher de Manoá, a qual não tinha filhos, o “Anjo do Senhor” apareceu, com a mensagem de que ela teria um filho, por meio de quem Deus começaria a livrar Israel. Em vista disto o Anjo lhe deu instruções com relação aos seus próprios hábitos, e também quanto ao tratamento do filho. …

A mulher procurou o marido, e depois de descrever o Anjo, repetiu Sua mensagem. Então, receosos de que cometessem algum erro na importante obra a eles confiada, orou o esposo: “Rogo-Te que o homem de Deus, que enviaste, ainda venha para nós outra vez e nos ensine o que devemos fazer ao menino que há de nascer.”

Quando o Anjo de novo apareceu, a ansiosa indagação de Manoá foi: “Qual será o modo de viver e serviço do menino?” A instrução prévia foi repetida: “De tudo quanto Eu disse à mulher se guardará ela. De tudo quanto procede da vide não comerá, nem vinho, nem bebida forte beberá, nem coisa imunda comerá; tudo quanto lhe tenho ordenado guardará.” Manoá e sua esposa não sabiam que Aquele que a eles Se dirigia era o próprio Jesus.

No devido tempo cumpriu-se a promessa feita a Manoá, através do nascimento de um filho, a quem foi dado o nome de Sansão. Por ordem do anjo, a cabeça do menino não deveria ser raspada, pois ele fora consagrado a Deus, desde o nascimento, para ser nazireu.

Samuel e Eli

Samuel era uma criança rodeada das influências mais corruptoras. Via e ouvia coisas que lhe ofendiam a alma. Os filhos de Eli, que ministravam nas cerimônias sagradas, eram regidos pelo espírito do engano. Esses homens contaminavam toda a atmosfera que os cercava. Dia a dia, homens e mulheres eram fascinados pelo erro e a injustiça; no entanto Samuel vivia incontaminado. Imaculadas eram suas vestes de caráter. Não tomava parte nem sentia o menor prazer nos erros que enchiam todo o Israel com terríveis rumores. Samuel amava a Deus; mantinha a alma em tão íntima comunhão com o Céu, que um anjo foi enviado para falar com ele relativamente aos pecados dos filhos de Eli, os quais estavam corrompendo a Israel. As transgressões dos filhos de Eli eram tão terríveis, que nenhum sacrifício podia expiar seus erros intencionais.

Saul e Jônatas

Deus havia elegido Samuel para julgar a Israel. Era ele honrado por todo o povo. Deus devia ser reconhecido como o grande Líder, mas ainda assim designou-lhes dirigentes e os imbuiu com Seu Espírito, comunicando aos mesmos Sua vontade por intermédio dos anjos. Por causa do pecado de Saul em sua oferta presunçosa, o Senhor não lhe daria a honra de vencer aos filisteus. Jônatas, o filho do rei, homem que temia o Senhor, foi escolhido como instrumento para libertar Israel. Anjos celestiais protegiam a Jônatas e seu auxiliar, anjos combatiam ao seu lado, e os filisteus caíam diante deles.

Samuel não tornou a dar instruções divinas a Saul. O Senhor não podia empregar o rei para executar Seus propósitos. Entretanto, enviou Samuel à casa de Jessé para ungir Davi, a quem escolhera para ser dirigente em lugar de Saul, a quem já rejeitara. Quando os filhos de Jessé desfilaram diante de Samuel, este haveria escolhido a Eliabe, de elevada estatura e digna aparência, mas o anjo de Deus estava ao lado do profeta para orientá-lo na importante decisão, instruindo-o a não julgar de acordo com a aparência.

Davi não se destacava pela estatura; sua face, contudo, era bela, expressando humildade, honestidade e verdadeira coragem. O anjo de Deus indicou a Samuel que este deveria ser ungido, por ser o escolhido de Deus. A partir desse momento, Ele concedeu a Davi um coração prudente e entendido. Eliabe, o irmão mais velho de Davi tinha ciúmes do irmão, pois este fora honrado à frente dele. Desprezava-o e o tratava como alguém inferior a si mesmo. Acusou-o diante de outras pessoas, de haver escapado, às escondidas do pai, para presenciar a batalha. Davi repeliu a injusta acusação, dizendo: “Que fiz eu agora? Fiz somente uma pergunta.” Davi não explicou detalhadamente ao irmão que viera para auxiliar Israel, que Deus o enviara para matar Golias. Deus o elegera para governar Israel; enquanto os exércitos do Deus vivo se encontravam em perigo, ele fora dirigido por um anjo para salvar a Israel.

Saul permitiu que os impulsos controlassem seu julgamento, até que ele imergisse numa furiosa paixão. Apresentava acessos de ira e loucura, momentos em que estava pronto a tirar a vida de quem quer que se opusesse à sua vontade. Foi o caráter imaculado e a nobre fidelidade de Davi que despertaram a ira do rei. Percebia a vida e o caráter deste como sendo uma censura a si próprio. Saul chegou a Ramá e se deteve junto ao grande poço de Seco. O povo chegava ali para tirar água, e Saul perguntou-lhes onde estavam Samuel e Davi. Quando lhe foi dito que eles se achavam em Naiote, apressou-se em chegar lá. Mas o anjo do Senhor encontrou-o no caminho e passou a controlá-lo. O Espírito de Deus o manteve em Seu poder, de modo que prosseguiu pelo caminho proferindo orações, intercaladas com predições e melodias sagradas. Profetizou a vinda do Messias como Redentor do mundo.

De novo foi declarada guerra entre Israel e os filisteus. … Saul soubera que Davi e sua força estavam com os filisteus, e esperava que o filho de Jessé aproveitasse esta oportunidade para vingar-se dos males que tinha sofrido. O rei estava em grande angústia. No dia seguinte, Saul deveria empenhar-se em batalha com os filisteus. Mas em vão procurou conselho da parte de Deus. “O Senhor lhe não respondeu, nem por sonhos, nem por Urim nem por profetas.” Então, disse Saul aos seus servos: “Buscai-me uma mulher que tenha o espírito de feiticeira, para que vá a ela e a consulte.” Foi dito ao rei que uma mulher que possuía espírito de feitiçaria estava morando em um esconderijo, em En-Dor e o príncipe do mal operava prodígios para ela, e revelava-lhe coisas secretas.

Disfarçando-se, Saul saiu de noite apenas com dois auxiliares, a fim de buscar o retiro da feiticeira. Sob o manto das trevas, Saul e seus auxiliares se encaminharam através da planície, e, passando com segurança pelos exércitos filisteus, atravessaram o cume das montanhas, em direção à morada solitária da feiticeira. Depois de praticar seus encantamentos, ela disse: “Vejo deuses que sobem da terra. Vem subindo um homem ancião e está envolto numa capa. Entendendo Saul que era Samuel.”

Não foi o santo profeta de Deus que veio com o poder dos encantamentos de uma feiticeira. Samuel não estava presente naquele antro de espíritos maus. A aparência sobrenatural apenas foi produzida pelo poder do mal. As primeiras palavras da mulher sob o poder de seu encantamento foram dirigidas ao rei: “Por que me tens enganado? Pois tu mesmo és Saul.”. Assim, o primeiro ato do espírito mau que personificou o profeta, foi comunicar-se secretamente com aquela ímpia mulher, para avisá-la do engano que fora praticado para com ela. Então, disse Saul: “Mui angustiado estou, porque os filisteus guerreiam contra mim, e Deus Se tem desviado de mim e não me responde mais, nem pelo ministério dos profetas nem por sonhos; por isso, te chamei a ti, para que me faças saber o que hei de fazer.”

Quando Samuel vivia, Saul desprezara seu conselho, e ressentira-se de suas reprovações. Agora, porém, na hora de sua angústia e calamidade, sentia que a guia do profeta era sua única esperança; e, a fim de comunicar-se com o embaixador do Céu. Quando Saul interrogou Samuel, o Senhor não fez que este aparecesse ao rei.  Não foi permitido ao espírito mau perturbar o repouso do profeta na sepultura, trazendo-o realmente de volta na caverna de En-Dor.

O relato da visita de Saul à mulher de En-Dor, tem sido uma fonte de perplexidade a muitos estudiosos. Há alguns que assumem a posição de que Samuel estava efetivamente presente na entrevista com Saul; mas a Bíblia Cristã oferece base suficiente para uma conclusão contrária. A própria mensagem traz prova suficiente de sua origem. Seu objetivo não foi levar Saul ao arrependimento, mas impeli-lo à ruína; e isto não é a obra de Deus. Ademais, o ato de Saul ao consultar uma feiticeira é citado nas Escrituras como um motivo por que ele foi rejeitado por Deus e abandonado à destruição: “Morreu Saul por causa da sua transgressão com que transgrediu contra o Senhor.

 

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