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            São Paulo de todos os deuses

Não é exagero. São Paulo, que acaba de completar 463 anos, é síntese não somente do Brasil, mas também do mundo. Essa grande metrópole de mais de 12 milhões de habitantes recebe pessoas de todas as raças, classes sociais e econômicas, estrangeiros de todas as partes da Terra.

Acolhe também adeptos de todas as religiões do planeta. Como essas duas monjas budistas, nascidas na China e que escolheram a capital paulista para professar sua fé. São personagens do livro “São Paulo, 450 anos”, com imagens realizadas por 45 fotógrafos de várias regiões do país.

Na década de 1980, uma editora de Nova Iorque aproveitou as comemorações do Dia da Independência dos Estados Unidos para por em prática uma ideia genial que, depois, foi repetida em várias partes do mundo. Ela convidou 200 fotógrafos de vários lugares do país para documentar o que aconteceria durante as 24 horas de festas. O resultado foi tão bom que resultou na bela edição de “Um dia na vida da América”.

Foi com base nessa ideia que os irmãos Fernando e Eduardo Bueno propuseram à prefeitura paulistana e à Nossa Caixa um projeto nos mesmos moldes, realizado no dia em que São Paulo comemorava seus 450 anos. Éramos 45 fotógrafos das cinco regiões do Brasil e com atuação variada. Ou seja, fotojornalistas, especialistas em arquitetura, publicidade, estúdio, moda, retratistas etc.

Reunidos em um hotel, nenhum de nós tinha a menor noção do que iria fotografar. Sabíamos, porém, que o tempo para todos começava a valer a partir da zero hora e expirava à meia noite do dia seguinte. Ou seja, tínhamos todos, a obrigação de cumprir o trabalho dentro desse período. Evento bem organizado aquele e, na verdade, muito interessante. Tive a sensação de estar participando de um rali. Daqueles em que você recebe uma missão e tem de cumpri-la dentro do prazo exigido pelos organizadores. E a missão de cada um foi decidida na noite do sábado, véspera do aniversário da cidade, poucas horas antes de o relógio dar o sinal de largada.

Quarenta e cinco fotógrafos, 45 assuntos. Fui sorteado com o tema “Orar em São Paulo”. Pedro Martinelli, “Aeroportos de São Paulo”. Rogério Reis, “Abastecer São Paulo”. Orlando Azevedo, “Torcidas de São Paulo”. Marcos Sá Corrêa, “Dormir em São Paulo”. Rui Faquini, “Cafés de São Paulo”. E assim por diante. Gostei. Aliás, nem adiantaria não gostar, pois não era possível trocar de pauta. E mais, a graça do trabalho estava justamente no fato de fotógrafos familiarizados com determinados assuntos terem de se haver com a surpresa de temas tão diferentes. A princípio, achei impossível em tão pouco tempo colher seis fotografias que bem pudessem dar uma visão aproximada da presença das religiões numa metrópole das dimensões de São Paulo. Mas a experiência me demonstrou mais uma vez que com calma, tudo se resolve. Foi ótimo.

Depois do sorteio, a corrida de cada um para planejar o cumprimento de sua tarefa. No meu caso, fiquei por mais de três horas com amigos paulistanos mapeando e tentando agendar horários com pais-de-santo, padres, pastores, monges, rabinos. Antes do nascer do sol, eu estava no Mosteiro de São Bento para fazer o lado católico da capital paulista, a primeira missa dominical dos padres beneditinos. Depois, corri para um centro espírita em Pirituba. No caminho, encontrei uma passeata de jovens hare-krishna, no Parque Dom Pedro. Na Praça da Sé, um grupo de evangélicos.

Mas só fiquei satisfeito quando, já no fim da tarde, entrei em um templo budista, na Aclimação. Foi lá que pude fazer a foto das duas monjas chinesas durante o culto. Nem parece São Paulo. Mas é.

 

 

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