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Carlota Joaquina, primeira mulher no poder do Brasil

Nasceu na Espanha, mas foi por Portugal que a representante da corte marcou destaque na história brasileira. Existem documentos que apontam personalidades distintas da Carlota. Parte dos livros de história coloca o nome da personagem histórica de forma negativa. Porém, críticos apontam que a mesma apenas representou outro fantoche da corte lusitana, ao contrário da figura de oposição. Reinou ao lado do rei de Portugal por menos de um ano. Teve que se isolar por conspirar contra o marido.

Casamento Arranjado de Carlota Joaquina

O rei da Espanha, Dom Carlos IV, arranjou o casamento para a filha com Dom João. Interessante notar que antes de partir às terras portuguesas a representante do reinado espanhol solicitou que fizessem um quadro para que fosse colocado no lugar de D. Margarida. Na época o mundo europeu começou a perceber que o temperamento de Carlota não era fácil. Tinha presença de espírito mesmo na infância, visto que se casou quando ainda tinha 10 anos, em 1785. Quando D. José faleceu foi D. João que assumiu o trono lusitano, no ano de 1788. Por esse motivo que Joaquina virou princesa-regente com treze anos de idade, fato considerado extravagante e impensável na época de acordo com as principais nações econômicas.

Primeira Mulher no Poder do Brasil

Dilma Rousseff tem o destaque por ser a primeira mulher a exercer o poder executivo na história da nação desde as épocas coloniais. Porém, não se pode dizer que a petista foi pioneira em exercer o poder no país. Isso porque Carlota Joaquina também se destaca como mandatária em época na qual o movimento feminino não tinha força na sociedade. Desde que assumiu o poder a princesa-regente começou a demonstrar a tendência violenta. Em épocas antes de Cristo, Agripina usou o filho Nero para exercer o poder em Roma – chegou inclusive a invadir o Senado para impor a opinião sobre os principais problemas na época. Carlota tem traços da figura histórica romana, com a diferença de ter usado o marido ao invés dos herdeiros para mandar. O estilo de Carola chegava ao ponto de não solicitar autorização ao marido para ordenar. Tinha a especialidade de influenciar nos assuntos sem D. João perceber que estava sendo manipulado. Por vezes a mulher chegava a chantagear para conseguir o que queria e em grande parte dos casos conquistava resultados positivos, embora a trama contra o parceiro tenha sido descoberta antes do golpe. Como era de se esperar a corte portuguesa começou a se preocupar com a falta de poder na decisão do trono e os reveses referentes aos desejos de Joaquina.

Beleza de Carlota Joaquina

Existem boatos sobre a verdadeira beleza de Carlota. Grande parte dos quadros e dos relatos históricos a colocam com estética ruim, não apenas por rosto como também no corpo e em principal, na alma. De acordo com Octávio Tarquínio de Sousa, Joaquina era magra ao extremo, tinha pele grossa e podia ser confundida com uma anã. Os trabalhos de Souza que foram publicados no começo do século XX apontam-na como ninfomaníaca insaciável e que não tinha escrúpulos para demonstrar o apetite sexual. Não se pode ignorar o fato de que os principais inimigos, entre eles os franceses, apontavam que dos nove filhos portugueses apenas cinco eram autênticos.

Golpe de Carlota Joaquina

Um dos episódios lembrados com destaque nos livros de história ou minisséries e novelas sobre o tema está no golpe que Carlota organizou no sentido de desestabilizar o poder de Dom João e do príncipe regente. Com o espaço reservado no poder e falta de controle por parte do representante do trono português, Carlota organizou o plano para prender príncipe por considerar “incapaz” de tratar dos problemas referentes á coroa.

O projeto de golpe foi descoberto no ano de 1805, quando D. Vila Verde resolveu investigar ao fundo. Na época, Joaquina apenas não perdeu o pescoço porque Dom João não queria outro escândalo do reinado que se fragilizava aos olhos de ingleses aliados e franceses inimigos. De fato, a fragilidade do governo poderia ser empecilho para que a Inglaterra continuasse a emprestar dinheiro. Desde que Napoleão adentrou em Lisboa os problemas do reinado português aumentavam em ritmo acelerado. Inclusive na hora da desgraça, Carlota não abaixou o nariz ao se recusar a permanecer presa. Foi ao refúgio no Palácio de QUELUZ depois da separação.

Rio da Prata e Carlota Joaquina          

De forma decisiva, Carlota Joaquina estava disposta a comandar o reino português. Os primeiros passos para transformar o poder aconteceram no Rio da Prata. O plano principal estava em ficar no trono das províncias da Espanha, estabelecidas no novo continente, para depois domina a América. Aceitava no mínimo ter o mesmo nível de poder que Fernando VII, o irmão. Sem oposição por parte de Dom João, Joaquina seguiu ao Rio da Prata para começar a formar o partido com apoio de Sidney Smith. Porém, em pouco tempo surgiram oposições ideológicas com as ideias do reino português. O estopim aconteceu quando o ministro da Inglaterra insinuou a Dom João que Smith e Carlota tinham relação que ultrapassava as fronteiras da diplomacia.

Conflitos em Portugal

No ano de 1824, Carlota saiu da QUELUZ para liderar movimentos contra o rei. Agiu de modo intenso em principal contra as ações de D. João e ao mesmo tempo promoveu atos no sentido de derrubar as regras constitucionais. Com a pressão o dono do trono suspendeu a Constituição e ao mesmo tempo fez as pazes por pouco tempo com Carlota no sentido de buscar apoio político.

Morte de Carlota

Por volta do começo da segunda década do século XIX, Dom João sentiu que estava morrendo. Alguns pensadores apontam que o rei aos poucos foi envenenado por inimigos, talvez os representantes de Carlota. Nesse sentido, começou a organizar a regência para escolher o nome que iria suceder ao poder em Portugal. Vale ressaltar que foi a princesa Isabel Maria de Bragança quem organizou o evento e não a rainha, como de costume em grande parte das nações europeias. Dom Miguel assumiu o poder das terras portuguesas no ano de 1828. Sem perspectiva e participação efetiva no plano que visou modificar regras do Estado, Carlota morreu em 1830, com suspeitas de suicídio.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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