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Residência de Verão de Rui Barbosa em Petrópolis

Rui Barbosa, mantinha uma casa para sua residência de verão na cidade serrana de Petrópolis, um hábito compartilhado pela aristocracia da antiga capital federal de sua época. Políticos e Ministros da antiga República se mudavam para Petrópolis durante os meses mais quentes do ano.

A casa de verão de Rui Barbosa de Petrópolis fica na Av. Ipiranga, 405, sendo hoje uma residência particular. A visitação é apenas externa, ou seja, pode-se ver a partir da rua, mas não é permitido o ingresso em suas dependências. Meu Doce Lar ou “My Sweet Home” dito em Inglês. Era assim que Rui Barbosa chamava seu doce lar de verão em Petrópolis. Rui Barbosa em Petrópolis.

A nobreza e aristocracia do Rio de Janeiro, na segunda metade do século 19 e início do século 20, costumava manter casas ou residências de verão em Petrópolis, para fugir das altas temperaturas do verão carioca. O clima serrano de Petrópolis era o grande atrativo durante o meses de verão, onde o Imperador Pedro II também tinha outro Palácio Imperial, o museu imperial dos dias atuais.

Demais membros da família Real, como a Princesa Isabel também mantinha uma grande casa em Petrópolis, assim como muitos aristocratas e titulares do Império, ou seja, os outorgados com títulos nobiliárquicos como o Barão de Mauá, um dos mais ricos e bem sucedidos empresários do Segundo Reinado.

Rui Barbosa foi um dos mais árduos críticos do Império ou da antiga Monarquia Constitucional, que ele ajudou a derrubar e participou inclusive do primeiro gabinete ministerial após o golpe que deu início à República. Rui Barbosa era um defensor ferrenho do liberalismo e das liberdades individuais, e certamente não foi por causa do bom gosto do Imperador ao escolher Petrópolis para passar o verão que ele ajudou a derrubar seu regime monárquico constitucional.

Mas assim como o Imperador Pedro II que mantinha até então um Palácio de Verão em Petrópolis e lá passava longas temporadas durante os verões, tanto Rui Barbosa como os políticos, e presidentes da então emergente República, continuaram com o hábito de manter residências de verão em Petrópolis.

Afinal, Rui Barbosa e os políticos de seu tempo também sentiam calor, e certamente tinham medo dos mosquitos que proliferavam e propagavam epidemias durante o verão do Rio de Janeiro. Na qualidade de um autêntico liberal e defensor dos direitos individuais, ele também se julgava no direito de escolher onde residir no verão, mesmo que alguns não tivessem oportunidade de se livrar do calor e dos mosquitos.

Assim, em termos práticos, a revoada de políticos para Petrópolis se dava devido ao clima ameno do verão e também devido aos surtos de epidemias que assolavam o Rio de Janeiro, então Capital Federal durante os verões, antes das metas saneadores propostas por Oswaldo Cruz e endossada pelos governos de então. Rui Barbosa, no auge de sua euforia liberal, fez inclusive uma oposição política à Oswaldo Cruz, ao defender que a vacina proposta pelo sanitarista feria os direitos individuais.

Mas este hábito de debandada para Petrópolis continuaria ainda por muitos anos, não somente por parte dos políticos como também por parte da aristocracia do Rio de Janeiro, que antes do advento do ar condicionado, tinha como solução procurar um clima mais ameno associado ao fato de passar o verão em uma cidade com ar europeu e tendo como vizinhos os políticos mais influentes do pais, além de pessoas ilustres.

E foi assim que, perpetuando este hábito que vinha do tempo do Império, que Rui Barbosa tanto combateu, ele também mantinha sua residência de verão em Petrópolis. Rui Barbosa era um homem bem sucedido, mantendo sua aristocrática residência no Rio de Janeiro, na Rua São Clemente, em Botafogo, um palacete muito visitado por turistas, e tendo também uma residência de verão um pouco mais modesta em Petrópolis, isto é, se comparada à casa de outros homens de maiores posses.

Foi nesta residência de verão em Petrópolis que Rui Barbosa escreveu algumas de suas obras, como “Introdução ao Código Civil” e “Oração aos Moços”. Foi também na casa de Petrópolis que Rui Barbosa faleceu, no dia 1 de março de 1923. O seu corpo foi trasladado para o Rio de Janeiro e sepultado no Cemitério São João Batista. Mais tarde, em 1949, os restos mortais do sábio baiano foi levado para a Bahia e depositado onde atualmente é a sede do Tribunal de Justiça do Estado, em Salvador.

Após a sua morte, o governo adquiriu os bens da casa, incluindo mobiliário e biblioteca, assim como ocorreu com a casa de Botafogo, no Rio de Janeiro. Entretanto a casa de Botafogo foi transformada em museu, abrigando o acervo relevante das duas casas. O mestre do direito possuía também uma residência em sua terra natal, a capital Salvador.

O fim da revoada de celebridades para Petrópolis

Até a primeira metade do século 20, o hábito de subir para a montanhosa Petrópolis continuava usual, não mais por causa dos mosquitos e epidemias, pois a antiga capital já havia sido saneada, isto é, pelo menos em termos de mosquitos e epidemias. Com o advento do ar-condicionado, o hábito de manter residências de verão diminuiu. Mas provavelmente, somado ao surgimento do ar-condicionado, a mudança da capital federal para Brasília, talvez seja um dos fatores que muito contribuíram para o esvaziamento deste hábito.

A presença de antigas autoridades no verão de Petrópolis, incluindo presidente da República, conferia um encanto e status especial à cidade, atraindo uma “revoada” de políticos, aristocratas e empresários que procuravam não se distanciar do centro do poder e uma oportunidade de maior contato, aliado ao bom clima daquela cidade.

 

 

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