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Derrotas, investigações e prisões causam declínio de partidos

Ao contrário do que rege a política nacional, em Mato Grosso do Sul PT e PMDB sempre estiveram em lados opostos e praticamente protagonizaram as batalhas eleitorais mais disputadas. Porém, desde a última eleição municipal, em 2012, ambos vem sofrendo declínio. O PSDB, até então na sombra da cúpula peemedebista, aproveitou para apostar as fichas nos pleitos passados, jogada que, mesmo a passos lentos, tem dado certo.

Há três anos o prefeito de Campo Grande, Nelson Trad Filho, à época do PMDB, finalizava o segundo mandato, após outros oito anos de André Puccinelli (PMDB) no comando do Paço Municipal. Este, por sua vez, também cumpria os últimos meses à frente do governo do Estado ao qual foi reeleito. Para sucessão de Nelsinho a sigla investiu no então deputado federal e secretário estadual de Obras, Edson Giroto, hoje do PR.

O ex-parlamentar chegou ao segundo turno contra Alcides Bernal (PP), mas não conseguiu convencer a população de que seria melhor manter o PMDB no poder. Nesta mesma eleição o PT amargou o quarto lugar com Vander Loubet como candidato à Prefeitura de Campo Grande. Na ocasião quem ficou em terceiro foi o deputado federal Reinaldo Azambuja (PSDB) que por pouco não conseguiu o mesmo desempenho de Giroto, a semente estava lançada.

No ano passado, sem muita opção, depois de muita discussão e ‘bateção de pé’, Nelsinho foi incumbido conquistar a sucessão de Puccinelli. Já o PT foi um dos primeiros a anunciar candidato, o senador Delcídio do Amaral que se demonstrava bastante confiante na época. Azambuja protelou para definir se realmente entraria no embate e chegou a caminhar ao lado do petista costurando chapa como vice ou postulante ao Senado, mas nos 45 minutos do segundo tempo resolveu enfrentar o ‘companheiro’.

O cenário estava montado: PT, PMDB e PSDB com nomes ao Governo do Estado. Debates acalorados, discursos de ataque, inúmeras promessas e o primeiro turno acabou com Azambuja e Delcídio na disputa. Nelsinho e o PMDB estavam de fora e a hegemonia de quase 20 anos acabava ali. À legenda restaria as presidências da Câmara Municipal da Capital e da Assembleia Legislativa.

Na segunda fase do pleito o PT viu a chance de retomar o poder depois de anos longe do comando do Estado, sendo o último governador Zeca do PT que saiu em 2006. Entretanto a cúpula petista esperava vitória logo no início e o resultado acabou impactando negativamente correligionários. Quem passou no dia da eleição pela Via Parque viu o diretório do senador com estrutura digna de festa. Tudo ficou às moscas depois do resultado.

Do outro lado o PSDB que nunca havia emplacado chefe do Executivo estadual. As fichas estavam na mesa. Mais debates acalorados, cheios de alfinetadas e até premonições porque o tucano chegou a dizer que se o adversário levasse a melhor Mato Grosso do Sul correria o risco de ter o governador preso, referindo-se à investigação da Lava Jato. Por fim a população acabou optando pelo que teoricamente seria o novo.

Com 741.516 votos (55,34%) Azambuja venceu Delcídio detentor de 598.461 votos (44,66%). Depois de ‘sumir’ por um tempo, o senador retornou ao cenário nacional quando foi intitulado líder da presidente da República Dilma Rousseff (PT) no Senado. Enquanto isso o PMDB era citado em investigações regionais como a Operação Lama Asfáltica e Coffee Break, esta última resultou no afastamento do presidente da Câmara, Mario Cesar (PMDB), que depois de três meses longe da Casa conseguiu liminar para retornar, contudo renunciou à função.

Diante da desistência outra eleição foi feita e mais uma vez o PSDB conseguiu o posto com João Rocha. Além de Mario, grande parte da bancada do PMDB foi apontada em investigação que apurou compra de votos dos vereadores para cassação de Alcides Bernal em março do ano passado.

Já a Lama Asfáltica, ainda em aberto, também colou a legenda no olho do furacão. Isso porque contratos do poder público, muitos feitos na gestão peemedebistas, seriam fraudados para beneficiar empreiteiras. Giroto, ex-secretário de obras, chegou a ser preso, junto a empresários e outros ex-integrantes do Governo.

Mas as emoções do cenário político sul-mato-grossense ainda sofreria mais alterações. No dia 25 de novembro Delcídio foi preso sob acusação de tentar obstruir investigação da Lava Jato, após ser pego em gravação na qual ofertava ‘mesada’ de R$ 50 mil para o filho de Nestor Cerveró, tudo para que o ex-diretor da Petrobras não citasse seu nome em delação premiada ou depoimento. Ele também sugeriu rota de fuga para fora do Brasil e permanece encarcerado até hoje.

Em 2016 novas eleições municipais ocorrem, porém diante de tantas polêmicas e operações policiais as siglas preferiram manter discrição em relação às articulações eleitorais. Faltando meses para as convenções que oficializam os candidatos, ainda não há nada concreto como em anos anteriores.

 

 

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