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Retratos de uma Época

Esmero na obra que fala da Cia Matte Larangeira, com prefácio de Elza Dória, descendente dos Mendes Gonçalves.

Começa, aqui e agora, após cuidadosa leitura, anotações do livro “Retratos de uma época”- Mendes e Gonçalves, de Luiz Alfredo. Esmero na obra que fala da Cia Matte Larangeira, com prefácio de Elza Dória, descendente dos Mendes Gonçalves.

“Retratos de uma época”, fruto de acurada pesquisa sobre a Matte Larangeira, realizada por Luiz Alfredo Marques Magalhães. É o resultado do “sonho sonhado” de Elza Dória sobre a Cia. Matte Larangeira. Elza Dória morou em Campo Grande a partir de 4 de janeiro de 1979, após o esposo Pedro Dória ter se aposentando. Mário Mendes Gonçalves não era bonito, mas dominava os ambientes. Ele era pai de Elza Dória. Elza Dória Passos Mendes Gonçalves, estudiosa perspicaz, é sobrinha-neta de Don Francisco, da Matte-Larangeira.

Nada de grande acontece sem paixão; o sonho revela a verdadeira natureza do ser humano. A pesquisa sobre a empresa Matte Larangeira foi um sucesso, através da busca incessante de Luiz Alfredo. Todas as glórias do passado se associam ao trabalho de notáveis idealistas, construindo a história.

Cruz de Malta era um vapor que servia incontáveis viajantes no rio Paraná, no trecho Porto Mendes-Posadas. Buenos Aires foi a cidade mais próspera nos tempos de Francisco Mendes Gonçalves e da erva-mate. Portos de Concepción, Murtinho e Corumbá: influência direta da empresa Matte Larangeira no comércio da erva-mate.

A planta conhecida como erva-mate tinha muitos nomes, sendo que o mais comum foi a curitibiensis, dado por Saint Hilaire. Após a guerra da Tríplice Aliança, a união da família Mendes Gonçalves com Thomaz Laranjeira: comércio da erva-mate. Argentina, nação mais rica do Continente até 1880; era ali onde mais se consumia a erva-mate, no tempo de Thomaz Larangeira.

Thomaz Laranjeira morreu em 1911 e Don Francisco em 1930, mas a atividade ervateira continua na maior parte da América Latina com absoluto sucesso. Francisco Mendes Gonçalves era português, e veio com a família para o Brasil em 1853, a convite do irmão Ricardo. Ele tinha seis anos de idade. A partir de 1822, começou a exploração da erva-mate em terras do Brasil e do Paraguai, tendo um mercado promissor até os dias atuais, e sem riscos.

Ricardo Antônio, vindo da Ilha da Madeira, bela Pérola do Atlântico, chegou no Rio de Janeiro em 1840, no reinado de Dom Pedro II, que estava em expansão. O Arquipélago da Madeira é um conjunto de oito ilhas, com apenas duas habitadas: Porto Santo e Madeira.

Cia Matte Larangeira. Era assim mesmo, com “g”, a grafia. Hoje, escreve-se Matte Laranjeira, como na palavra Paraguai, sem o “y”. O calor da Guerra do Paraguai foi no ano de 1867, época em que alguns Mendes Gonçalves foram morar no país vizinho.

A inóspita província de Mato Grosso foi palco de sangrentas lutas, mas era grande a movimentação no porto de Corumbá. A Guerra do Paraguai teve fim em janeiro de 1870 com a morte de Solano López, em Aquidaban Nigui – Cerro Corá, a 40 km
de Ponta Porã.

Ricardo Antônio, influente em Assunção, auxiliava Thomaz Larangeira nos trâmites para o comércio da erva-mate na região, no ano de 1877. Ricardo Antônio faleceu em 1901 e seu corpo está sepultado em Assunção, no cemitério de La Recoleta.

(Lidas e relidas 18 páginas das 252 do livro “Retratos de uma época”, a história da Cia Matte Larangeira. Mundo Novo, 11 de fevereiro de 2018).

 

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