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Mulher se arrepende de furto em loja e devolve R$ 400 por correspondência

Era o fim de mais uma semana de trabalho em novembro, quando o comerciante Valter Olivero Allegrette, de 65 anos, abria as correspondências que haviam acabado de chegar pelo Correio em sua loja de roupas e calçados, que fica em Dourados. Entre elas, uma lhe chamou a atenção, era um Sedex (Serviço de encomenda expressa de documentos e mercadorias),  por isso ele já foi logo abrindo. No envelope havia uma carta, além de R$ 400 em dinheiro.

Pouco surpreso com a situação, pois costuma receber dívidas de clientes de forma semelhante, o comerciante passou a ler o bilhete com calma, mas logo percebeu que aquele não era um pagamento comum.

“Essa pessoa dizia que sempre foi certinha, que esteve na nossa loja e havia cometido o furto de uma blusa e um biquini, e que este havia sido o único jeito que encontrou de reparar o erro. Fiquei muito espantado, pois em mais de 50 anos de comércio eu nunca tinha visto algo como aquilo”, lembra o comerciante.

Em 25 linhas de uma folha de caderno simples, a mulher, que se identificou com nome fictício no envelope, confessava o crime que havia cometido e o quanto tinha se arrependido. “Não sei porque fiz isso, sempre fui certinha com minhas contas. Mas, enfim, isso não vem ao caso agora. Só sei que nunca usei o que roubei, dei para outra pessoa. Mas nunca me perdoei, e depois de pensar muito, encontrei essa saída de pagar o que roubei”, escreveu na carta.

Assim que terminou de ler a mensagem, Allegrette disse que sentiu um misto de impotência e revolta. Até pensou em mudar procedimentos da loja, que hoje deixa o cliente a vontade para provar aquilo que pretende comprar, mas mudou de ideia. “Sinceramente, eu me senti uma pessoa impotente, a gente tem uma loja há tanto tempo para acontecer esse tipo de coisa. Pensei que essa liberdade não poderia existir, mas caí em mim e vi que eu não poderia tomar uma decisão arbitrária só por causa de uma pessoa”, disse.

EXEMPLO

O comerciante contou ainda que chegou a pensar em não divulgar a situação, pois se sentiu ofendido diante do furto, mas pensou melhor e hoje considera a atitude um exemplo de coragem e honestidade.

“Eu comecei a ler aquilo e pensei: será que é melhor ficar quieto? Será que vou fazer papel de trouxa? Mas conversando com amigos, achei que era melhor divulgar. Porque quem faz esse tipo de coisa normalmente fica quieto, não diz nada a ninguém, eu li a cartinha e percebi que ela estava arrependida, e isso é um exemplo”, considerou.

Na carta, a mulher revelou ainda que fez uma pesquisa de preço para saber quanto custaria hoje o que ela furtou anos atrás, e pede desculpas pelo que fez. “Seria mais ou menos R$ 400 e estou te mandando pelo Correio, sinceramente não tive coragem de entregar pessoalmente. Espero que este dinheiro não seja extraviado. Me perdoe e que Deus ajude que os seus negócios prosperem a cada dia”, finalizou.

Allegrette diz que há cerca de 15 anos não vende biquinis, por isso estima que o furto tenha ocorrido há mais de 10 anos. Ele lembra que há cerca de dois anos recebeu um telefonema anônimo de uma pessoa que dizia a mesma história relatada na carta. Mas naquele dia a pessoa desligou sem dizer quem era.

“Eu acho que ela sentiu medo de se apresentar e eu me ofender, mas eu queria parabenizar essa pessoa. É muito importante ser honesto e eu acho que isso é um gande exemplo a toda a sociedade, que se pode errar sim, isso faz parte da vida, mas consertar um erro é muito importante. Eu não a condeno, muito pelo contrário, eu perdoo”, afirma o comerciante.

JConesul

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