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Euclides e Joaquim dizem não conhecer Geraldo Roca

O cantor e compositor Geraldo Roca não era muito de aparecer em público. Preferia o anonimato de casa e dos encontros particulares com amigos mais chegados. Ao invés de usar e abusar da fama, deixava que suas letras que, geralmente exaltavam a cultura regional, brilhassem e fizessem as vezes de artista.

Muitos campo-grandenses não conheciam o rosto de Roca, mas vira e mexe já se pegaram cantarolando o trecho. “Enquanto este velho trem atravessa o Pantanal, as estrelas do Cruzeiro fazem um sinal…”. Música eternizada na voz mansa de Almir Sater e, considerada por muitos, o hino das terras alagadas do nosso Estado.

Conversar com os aposentados Euclides Monteiro, 75 e Joaquim Rodrigues, 75, em um dos bancos da Praça Ari Coelho no Centro da Capital, além de um momento nostálgico, foi uma verdadeira aula da história de Mato Grosso do Sul, contada sob a ótica de quem vivenciou tudo de muito perto.

Juntos Euclides e Joaquim somam mais de 150 anos de muitas histórias para contar e falar da música de Roca, fez com que aos poucos os dois fossem lembrando de acontecimentos de uma época em que homem, natureza e máquina pareciam ser um só.

“Essa música é muito boa! Me faz lembrar das minhas viagens de Campo Grande até Corumbá, dentro da Maria Fumaça. No caminho a gente via os bichos e o mato bem de perto. Hoje tiraram o trem de circulação e tudo acabou”, lembra Euclides.

Joaquim recorda com saudosismo até mesmo das pequenas faíscas de brasas que invadiam os vagões, todas as vezes que a lenha era jogada no fogareiro da Maria fumaça. “A gente tinha que fechar a janela”, relata.

A viagem também segundo os dois aposentados, exigia uma manobras que com o tempo os viajantes aprendiam. “A gente não podia tomar sopa no prato, tinha que ser no copo, porque o trem balançava muito”, disse com um sorriso no rosto e um olhar de quem relembrava a cena nítida do balançar da Maria fumaça na mente.

“Vou confessar para você que não sabia quem era esse moço que morreu ontem, mas a música que ele fez vai ficar para sempre na nossa mente e vai fazer muita gente no futuro, ter curiosidade pra conhecer a história do trem do Pantanal”, conclui.

O cantor e compositor Geraldo Roca foi sepultado na manhã deste sábado (26), ao som da música Trem do Pantanal. O enterro aconteceu no cemitério Parque das Primaveras, em Campo Grande e contou com a presença de diversos nomes do cenário cultural de Mato Grosso do Sul.

 

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